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Análises, Cinema

Cruella (2021) – Análise

Encontramo-nos numa época, que está recheada de remakes e reboots na indústria do cinema, uma das empresas que se está a aproveitar do sucesso na capitalização de antigos e adorados IPs é a Walt Disney. Temos de ser honestos, este anteriormente louvado estúdio está a demonstrar uma falta de capacidade no que toca à criação de novos projetos “Live Action”, no entanto este mais recente talvez seja o caminho a seguir.

Com uma tendência que começara na década de 2010, a famosa empresa apostou no recontar de uma história, só que na perspetiva do Vilão. Essa ideia começou com Maléfica que teve direito a duas megaproduções.  Estamos em 2021 e essa ideia acaba por ser reutilizada, só que com a famosa Vilã dos 101 Dálmatas, Cruella. Nunca tivemos conhecimento sobre a sua história, apenas que é uma psicopata capaz de fazer qualquer coisa por arte, contudo não é assim que começa a nossa narrativa.

Uma possível historia de Origem

Nesta versão da narrativa Cruella, não passava de um alter ego prestes a ser liberto por uma criança órfã de seu nome Estella. Que sempre quis ser uma estilista famosa, mas a vida não se encontrava fácil e sendo assim vê-se então obrigada a juntar-se a dois rapazes, mas para sobreviver eles são obrigados a roubar. Surge então num futuro longínquo, uma oportunidade de poder trabalhar no que ela sempre sonhou. Após conhecer a baronesa, uma grande figura da moda naquela altura. Estella obtém o devido reconhecimento e começa a trabalhar para ela. É então que a sua vida dá uma volta de 360 graus, devido a uma revelação chocante que muda a vida de Estella, e é aí que se começam a ver traços de Cruella.

Um dos melhores Live Action vindos da Disney.

Acredito que este possa ser um dos melhores, senão o melhor filme Live Action da Disney dos ultimos 10 anos, só pelo o facto de que este demonstra criatividade e não é somente um shot by shot remake. Com o que temos atualmente na biblioteca da Disney, seria difícil não superar todas as suas anteriores produções.

O papel de Emma Stone como Cruella é de pasmar, mesmo até aos pequenos detalhes que caracterizam a personagem estão lá. A sua performance, dá uma sensação que Cruella está encarnada na Emma Stone. Presumo que seja isso que torna esta numa experiência tão gratificante, os pequenos detalhes, algo que pode escapar por completo do espectador, mas quando se apercebe é um mimo para os fãs dos filmes de animação originais. Os atores fazem um trabalho legitimo, mas quem se destaca é mesmo a Emma Stone que demonstra as suas capacidades como atriz.

A narrativa consegue manter a qualidade na maior parte das vezes, até me surpreendeu em vários momentos, contudo o início deu-me um sabor amargo na boca, mostrando uma cena que foi demasiado forçada, para a explicação do motivo da sua vingança, mas com o desenvolver da narrativa está encaixa e torna a história credível e orgânica (por enquanto).

Como não podia deixar de ser, o Guarda-Roupa disposto no filme era tudo o que podíamos querer para algo focado em moda. As roupas que as modelos e até a própria Cruella utiliza pelo o decorrer do filme, consegue transparecer o quão extravagante era a moda nesta a época.

Para alguém que acompanha a indústria já a algum tempo, tenho vindo a aprender certas técnicas utilizadas e uma das que mais gosto e também das mais complicadas de efetuar, um shot continuo. Admito ter ficado impressionado com a sequencia e também com o que a mesma queria transmitir. Num todo tem uma Cinematografia bastante conveniente.

Alguns pontos desvalorizaram a experiencia

A banda sonora é composta por música dos anos 80 e algumas músicas originais,  porém escassas. O que causa a perda de impacto em certas sequências. O filme está recheado de músicas conhecidas, mas estava exageradamente recheado, por vezes uma música acabava e outra começava numa questão de segundos, este é sem duvidas dos aspetos que menos apreciei no filme. Era como se a partir de certo ponto se estivessem a cansar de ouvir uma musica e passassem para a próxima.

Um os elementos que é bastante utilizado para substituir o uso de animais é o CGI, que por vezes consegue surpreender e outras deu-me a aquela sensação de Uncanny Valley (quando um objeto feito por computador não se mistura com cena real). Uma das sequências finais tem um aspeto um amador dando para perceber que a personagem está à frente de um green screen.

A narrativa consegue ser funcional na maior parte das vezes, no entanto é possível encontrar vários furos no roteiro, que podem eventualmente passar por despercebidos pelo espectador que apenas quer experienciar o filme sem refletir muito sobre o mesmo.

É continuar no bom caminho

No final, olho para esta produção como se fosse uma historia alternativa da vilã de 101 Dalmatas, já que há muitos muitos momentos que não fazem uma ligação com o original. Acho que a Disney acertou em como fazer uma adaptação das suas obras originais, contratando uma atriz apta de encarnar Cruella e escrever uma boa historia. Certamente que existem muitas arestas por alisar para tornar esta uma grande obra cinematográfica, mas já é um bom exemplo do que os fãs querem.

7.0
Score

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