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Análises, Cinema

Wonder Woman 1984 (Análise)

Após vários adiamentos, finalmente chega às salas de cinema Wonder Woman 1984, mas para compensar a espera, esta longa-metragem também está disponível em streaming na HBO Max (serviço não disponível em Portugal, mas que poderá chegar em 2021).
Wonder Woman 1984, uma sequela do primeiro filme que saiu em 2017, que mantém como protagonista Diana Prince (interpretada por Gal Gadot, atriz já reconhecida pelo seu papel anterior desta personagem, e também em filmes como: Fast & Furious de 2009 e suas sequelas; Batman V Superman: Dawn of Justice e mais recentemente em Justice League). Também podemos contar com Chris Pine (que volta ao papel de Steve Trevor, um ator conhecido por papéis em longas-metragens como: Star Trek; Into the woods, e mais recentemente dando a voz ao icónico Peter Parker, em Spider-Man: Into the spider-Verse), o elenco conta também com a participação de Kristen Wiig (atriz famosa maioritariamente pelas suas interpretações em filmes de comédia, tais como Paul, Zoolander 2; mas também em outros géneros, como Her ou The Martian, além de dar a voz a personagens em animações como: Ice Age, Despicable Me 2, Sausage Party) e Pedro Pascal (um ator que tem ganho um impacto positivo dentro do mundo cinematográfico, devido às suas prestações em: Game of Thrones; Narcos; The Mandalorian).
Esta nova sequela foi dirigida pela diretora Patty Jenkins (já tendo realizado Wonder Woman de 2017 e também Monster), e com a produção de Zack e Deborah Snyder, e também pela própria Gal Gadot, entre outros. Com uma banda sonora da autoria de Hans Zimmer (um compositor mundialmente reconhecido pelas composições em: The Lion King; Gladiator; The Dark Knight; Inception, entre outros).

Diana no Mundo dos mortais…

Wonder Woman 1984, inicia com Diana em criança, a se preparar para uma competição nos jogos em homenagem a Asteria. A pequena criança mostra toda a sua determinação, confiança e astúcia para vencer a prova, mas com o final da prova vem uma lição: “Os verdadeiros heróis, não nascem de mentiras“, e que ela vai se tornar naquilo que o mundo precisa, mas que talvez ainda não esteja preparada.
Regressando ao presente do filme, Diana Prince no meio do mundo dos comuns mortais, demonstra que já está acostumada aos pequenos hábitos humanos, contudo, sente que uma parte dela ficou perdida em 1918, quando perdeu o seu amado Steve Trevor. Diana normalmente acaba por ser tomada por este sentido de solidão, quando observa a felicidade dos outros casais que estão ao seu redor.

Wonder Woman, faz a sua primeira aparição, protegendo os que mais precisam de um grupo de vilões que estão prestes a assaltar uma joalheria, em que o seu principal objetivo é roubar objetos míticos, contudo Wonder Woman, chega a tempo para salvar o dia e assim, a coleção rara que estes tinham na sua posse.
De forma, a polícia perceber qual o interesse destes assaltantes pelas relíquias e principalmente, quem estaria realmente por detrás deste assalto, eles enviam todos os objetos envolvidos no assalto para um centro de investigação arqueológico (de forma a tentarem reconhecer todos estes objetos antigos), onde Diana trabalha, contudo, quem lidera esta investigação é a recém-chegada e empregada Barbara Minerva (Kristen Wiig), pois a sua especialidade é em geologia, gemologia, litologia e também criptozoologia, áreas essenciais para analisar destas peças.
Mas, logo no primeiro encontro entre Barbara e Diana, estas sentem uma boa empatia, tornando-se cúmplices nesta investigação e amigas próximas, o que acaba por ajudar Diana a ultrapassar todo o sentimento de solidão (que não é apresentado anteriormente). No entanto, esta sua nova amiga é demasiado descuidada e uma presa fácil, para aqueles que se metem com ela, não tendo confiança em si e mostrando-se uma pessoa extremamente frágil.

Ao longo desta jornada, Diana acaba por reencontrar Steve Trevor, de uma forma inesperada e mágica, visto este ter “ressuscitado” do mundo dos mortos, contudo, com a chegada de Trevor, também surgem novos inimigos, tais como, Barbara, pois esta acima de tudo quer se tornar/ser como Diana/Wonder Woman, mas, devido ao seu historial de personalidade, esta deseja deixar de ser uma “presa” e quer se tornar numa predadora. Para além de Barbara, surge também Maxwell Lord (Pedro Pascal), um suposto poderoso multimilionário, que quer controlar todos os poços de petróleo do mundo e assim conseguir monopolizar toda a economia, mas, para além disso, anseia por mais poder, querendo se tornar “dono e senhor do Mundo”.
Lord, devido à capacidade que tem, acaba por se tornar um refém do seu próprio poder, fazendo de tudo para conseguir alcançar a superioridade ambicionada, não olhando a meios para atingir os seus fins. Lord e Barbara aliam-se para combater a nossa heroína. Lord cheio de ganância promete tornar Barbara no maior predador que esta possa imaginar, tornando-a assim em Cheetah.
Para defrontar estes dois vilões, Diana enfrenta um conflito interno, acabando por se lembrar um pouco das palavras que a sua mestre lhe pronunciou no final dos jogos de homenagem a Asteria, e percebe que deve arriscar tudo para conseguir enfrentar Lord e Cheetah. Para tal, Wonder Woman, demonstra os seus novos poderes, e um novo equipamento, a armadura de Asteria (armadura utilizada pela grande Asteria na sua última batalha).

Porquê 1984???

Wonder Woman 1984, apresenta-nos uma premissa pouco interessante, destacando-se apenas todo o sentimento de solidão gerado por Diana, devido à perda do amado 70 anos antes, e as morais que este novo filme tenta incutir no espetador, acabam por deixar de parte o enredo principal desta longa-metragem.
Em termos de personagens, esta sequela, tenta fazer uma crítica metafórica ao presidente norte americano Donald Trump, com a personagem Maxwell Lord, já que este apresenta demasiadas semelhanças com este, principalmente a nível da personalidade, no entanto, devido a Lord estar demasiado preso à crítica que este filme quer transparecer, este torna-se uma personagem/vilão banal e desinteressante. Contudo, é de destacar muito pela positiva a vilã Cheetah, que é sem dúvida a alma e a luz deste novo título de Wonder Woman. O desempenho e a interpretação desta personagem por Kristen Wiig é interessante e muito bem conseguida.
Quanto aos nossos heróis, Diana, só demonstra numa fase muito inicial do filme um sentimento de solidão, que poderia ser mais explorado de modo a construir uma personagem mais forte. Enquanto Wonder Woman, esta apresenta simplesmente novos poderes sem nunca terem sido revelados, e quando existe uma pequena introdução à sua aprendizagem, esta refere que demorou cerca de 70 anos para utilizar em algo insignificante e que ainda tem problemas de controlo, no entanto, no momento crítico que precisa de os utilizar, é exímia na sua manipulação. Quanto a Trevor, a sua aparição nesta longa-metragem, é insignificante, pois dá-nos a percepção que apenas surge quase como um “fantoche sexual” para Diana, que estava muito sozinha no mundo, e acaba por tornar redundante o enredo do filme que apenas serve para justificar o seu aparecimento (o que na minha opinião poderia ter sido substituído por outra personagem que pudesse ter mais impacto na construção da personalidade de Diana).
Quanto aos efeitos especiais e visuais, estes foram bem conseguidos, principalmente na caracterização de Cheetah. Em relação à banda sonora, Hans Zimmer, consegue dar o cunho com um bom contributo ao desenrolar do enredo, contudo, existe um momento particular desta longa-metragem, que o compositor decidiu “incluir” um trecho musical (ou dá aos espectador essa impressão) do tema do filme Inception, o que faria sentido um tema mais original para esta aventura, especialmente no momento que este é inserido.
Em suma, Wonder Woman 1984, ficou àquem do esperado e na sombra do seu antecessor de 2017, começando desde logo pelo título, que não existe uma razão aparente para ser “1984”, a interpretação dos atores ficou um pouco aquém das expetativas (pois seria mais expetável uma melhor performance a nível das interpretações, tendo em consideração o elenco de renome apresentado), à excepção de Kristen Wiig, que tal como já foi mencionado anteriormente, é quem dá alguma vida a este título. Diana/Wonder Woman, apresenta-nos novos poderes sem nunca terem sido referidos anteriormente, principalmente em filmes que se passam no futuro. A direção, acaba por tentar demonstrar o “poder da mulher”, com a inclusão de uma vilã feminina, sendo que esta e a protagonista têm o maior tempo de antena, que acaba por cair no erro, que para vencer é preciso se ser “bonita”, acabando por estragar um pouco esta premissa. Apesar de Wonder Woman 1984, nos tentar trazer várias morais para a vida, apenas uma é que passa verdadeiramente, ou pelo menos desempenha bem o seu papel. Com isto, este título é uma desilusão para os fãs, tendo em consideração o seu antecessor.

Partilhamos, convosco o trailer desta aventura heróica…

5.0
Score

Pros

  • Personagem Cheetah
  • Interpretação Kristen Wiig
  • Caracterização Cheetah
  • Banda sonora

Cons

  • Premissa desinteressante
  • Personagens com pouco impacto
  • Justificação para "ressuscitar" Steve Trevor
  • Demasiados poderes sem justificação, que surgem nos momentos críticos

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