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Análises, Cinema

No Time to Die – Análise

No Time to Die, é a mais recente produção cinematográfica da série cinematográfica de James Bond, o agente secreto mais famoso do Mundo. Esta longa-metragem, com direção de Cary Joji Fukunaga (diretor americano, tendo já realizado filmes como, Sin Nombre, Jane Eyre, Beasts of No Nation e It), com argumento de Neal Purvis e Robert Wade (argumentistas dos títulos anteriores tais como: Casino Royale, Quantum of Solace, Skyfall e Spectre), conta ainda com ajuda de Cary Joji Fukunaga e Phoebe Waller-Bridge. Este mais recente título da série do agente do MI6, é uma continuação e o culminar da estória que tem vindo a ser desenvolvida desde Casino Royale.

Este filme apresenta um elenco que nada fica atrás ao que já nos tem sido habituado pela franquia, desde logo Daniel Craig (ator britânico que assumiu o papel de James Bond nas aventuras mais recentes desde 2006, e com participações em longas-metragens, tais como, Elizabeth, Lara Croft: Tomb Raider, Layer Cake, Munich e mais recentemente em Knives Out), Lashana Lynch (jovem atriz britânica, com interpretações na indústria do cinema em filmes como, Powder Room, Brotherhood e Captain Marvel), Ben Whishaw (ator que foi acompanhando Daniel Craig nestas estórias mais recentes de 007 a partir de Skyfall, assumindo o papel de Q, mas sendo também conhecido por papéis em filmes como, Perfume: The Story of a Murderer, Bright Star, Cloud Atlas, The Danish Girl, entre outros), Ralph Fiennes (veterano ator britânico, conhecido pelas suas interpretações em títulos como, Schindler’s List, The English Patient, The Avengers, Red Dragon, ou assumindo o papel de um dos vilões mais conhecidos da cultura Pop, o Lord Voldemort em Harry Potter, entre outros filmes), Léa Seydoux (atriz francesa, que já interpretou Madeleine Swann em Spectre, também conhecida por outras interpretações em Inglourious Basterds, Robin Hood, Mysteries of Lisbon, Mission: Impossible – Ghost Protocol, The Grand Budapest Hotel, entre outros). Destaca-se que este elenco conta ainda com a presença de Rami Malek (ator americano e galardoado já com um Óscar, na sua interpretação de Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody, conhecido também pela série Mr. Robot, e longas-metragens como: Night at the Museum, Battleship, Need for Speed, entre outros filmes e séries).

Os Fantasmas do Passado…

No Time to Die, inicia com James Bond (Daniel Craig) numa viagem pelo passado, com a sua amada Madeleine Swann (Léa Seydoux), pois após estar aposentado do MI6, ele decide viver a sua vida ao lado da mulher que ama, mas mantendo-se sempre atento a todos os pormenores, e nunca deixando de olhar por cima do ombro, na expectativa de sofrer algum tipo de ataque.

Numa dessas viagens, ambos, Bond e Swann, estão de passagem por uma cidade italiana, e à chegada reparam que está a decorrer, por assim dizer, um “festival dos segredos do passado”, onde os habitantes escrevem em pequenos papéis os seus segredos mais obscuros, e posteriormente queimam-nos, de modo a que estes fiquem no passado. Este evento gera um sentimento de conflito interno, devido aos seus fantasmas do passado, culminando numa conversa sobre os seus segredos, decidindo, cada um à sua maneira, resolvê-lo antes de os revelar um ao outro.

Assim sendo, Bond vai ao túmulo onde está depositada Vesper (uma agente por quem James se apaixonou em Casino Royale), mostrando-se arrependido pelo que lhe aconteceu e escrevendo um bilhete de perdão.

Mas algo que parecia ser uma redenção do agente secreto, torna-se um momento elevada tensão, pois assim que se apercebe que existe um pequeno cartão com o símbolo da Spectre, é imediatamente perseguido, por alguns agentes da organização, que deixam James Bond sem solução, pois ele compreende que enquanto viver, existiram perigos que o vão sempre perseguir e por esse motivo, não pode criar nenhuma relação amorosa, deixando a jovem Madeleine Swann para trás.

Após 5 anos deste incidente, e uma introdução ao estilo dos filmes de 007, que já nos tem habituado. Este novo título é apresentado ao som da música No Time To Die, interpretada por Billie Eilish, chegando assim ao presente onde o agente Bond vive na ilha da Jamaica, de forma pacifista, afastado do mundo metropolitano de Londres.

Apesar desta fase mais calma, os ânimos acabam por alterar, pois vem ao seu encontro, Felix Leiter (Jeffrey Wright), um amigo de longa data que trabalha para a CIA, que o informa de um novo perigo que está a surgir, e que este está ligado à Spectre. Contudo, James sem perceber exatamente com o que está a lidar, decide numa primeira abordagem não aceita o pedido de ajuda de Felix, pois é um agente reformado e que o problema deverá ser resolvido entre a CIA e o MI6.

Mas é neste momento, que Bond conhece Nomi (Lashana Lynch), a nova agente 00, e que acabou por se apoderar do código 007, já que o Comandante Bond (como agora é tratado) se retirou do cargo. Numa conversa animada entre os dois agentes, Bond decide também não ajudar o MI6, já que todo este perigo se deve às opções tomadas por M (Ralph Fiennes), na criação desta nova arma, no entanto, esta conversa tem um revés interessante, pois o nosso protagonista sente-se na obrigação de salvar o Mundo, acabando por aceitar ajudar Felix.

Na sua nova missão, o Comandante Bond, vai a uma festa privada da Spectre, de forma a tentar desvendar os segredos por detrás da tão poderosa arma, e qual o objetivo que esta organização tem. Bond volta a vestir o seu famosos fato e infiltra-se no evento, mas tal não corre como esperado, pois de imediato cai numa armadilha montada pelo cabecilha da organização, Ernst Blofeld (Christoph Waltz), que já havia sido capturado e estava preso numa prisão de alta segurança, algo que deixou Bond desorientado, como ele poderia ter tanto poder, mesmo estando preso.

Contudo, o plano do líder da Spectre também não corre como desejado, pois a sua armadilha para aniquilar James, termina numa exterminação da sua própria organização, pois a arma, mundialmente perigosa, nada mais é do que nanorobots (que se assemelham como um vírus), podendo ser inserido o ADN de quem devem atacar, isto é, os nanorobots são programados para atacarem apenas aqueles que contêm o ADN que foi usado na sua programação. Assim, o plano de Blofeld, que seria utilizar os nonorobots com o ADN de James Bond, teve uma pequena alteração, pois o ADN inserido não foi o de James, mas os de todos os membros da Spectre, sendo assim revelado o novo vilão desta longa-metragem, que é Lyutsifer Safin (interpretado por Rami Malek), um terrorista frio e insensível, que não mede meio para atingir os seus fins.

Após o destaque desta personagem, Lyutsifer Safin, o MI6, decide colocar todas as suas cartas na mesa, de forma a fazer frente a este perigo mundial, acabando por Nomi, abdicar do seu título de 007, para que Bond assuma novamente o seu papel, e assim ambos unirem forças, com a ajuda dos gadgets de Q (Ben Whishaw) e do apoio necessário prestado pelo MI6, para se aventurarem na mais perigosa e desafiante missão que James Bond irá enfrentar.

007 – Bond, James Bond…

No Time to Die, vai ser sem dúvida um novo registo do filmes do agente secreto mais conhecido do mundo, 007 – Bond, James Bond, pois já do que vem no seguimento dos títulos anteriores (Casino Royale, Quantum of Solace, Skyfall e Spectre), este agente acaba por ser mais humano do que os seus antecessores (até a este novo registo introduzido junto com o ator Daniel Craig), pois aquela personagem que estávamos acostumados a ver de um “homem macho” que apenas usa as mulheres, neste contexto deixa de existir, tornando-se mais preocupado com as suas companheiras e tentando criar algum tipo de relação amorosa.

Neste título de Cary Joji Fukunaga, todo o filme acaba por ser uma reinvenção, algo que possa ser passado para os seus sucessores (reinventar com as mudanças dos tempos), mas sem nunca deixar de lado o núcleo de 007. Uma das características muito presentes em No Time to Die, é que existem dois traços do próprio James Bond, uma que é o agente secreto 007, sempre elegante e de fato, e uma outra que é a pessoa James Bond, que tal como todas as pessoas têm conflitos e intrigas pessoais, isto foi algo que o diretor Cary Joji Fukunaga quis passar, em que basicamente toda esta trama está focada numa intriga mundial em conjunto com uma intriga pessoal da personagem, acabando por James Bond ser assombrado por fantasmas do passado, contudo, não é apenas ele, mas também outras personagens.

Em termos de interpretações, estas estão de acordo com as expectativas, culminando num desempenho brilhante de Daniel Craig ao assumir pela última vez o papel de James Bond. A jovem atriz Lashana Lynch, também se destaca pela positiva com um bom desempenho. Quanto ao vilão, interpretado por Rami Malek, apesar de ter uma atitude intimidante quando está em cena, transmitindo para o espectador o sentimento de perigo, sendo assim um vilão com presença, contudo, existem momentos ligeiramente desequilibrados, e além disso, a própria personagem Lyutsifer Safin, precisaria de um desenvolvimento um pouco maior, para percebermos melhor determinados motivos e atitudes que este tem, ou seja, apesar das características que este antagonista tem, fica muito aquém de um Raoul Silva (em Skyfall).

A banda sonora é excelente e bastante adequada às longas-metragens de 007, assim como a música de entrada, que é formidável tal como a sua apresentação. Destaca-se também, pela positiva, o ritmo do filme, que é de tal forma equilibrado que não se sente as quase 3 horas de duração a passar.

Em suma, No Time to Die é um bom filme, com um elenco magnífico e boas interpretações, possuindo um bom fecho para o ator Daniel Craig, da sua interpretação como James Bond, porém, o vilão deveria ter um maior desenvolvimento. Ressalva-se também, que por momentos a reinvenção desta longa-metragem tornam-no mais próxima da franquia de Mission: Impossible, do que de 007 (apesar disso, na minha opinião, em determinados momentos isto funcionou bem). Destaca-se ainda que ao longo desta aventura surgem pequenos detalhes e easter eggs.

Partilhamos, convosco o trailer do mais recente filme do agente secreto, mais conhecido do Mundo…

7.0
Score

Pros

  • Interpretação de Daniel Craig
  • Banda Sonora
  • Ritmo bastante equilibrado
  • Separação da "personalidade 007" de "James Bond"

Cons

  • Vilão pouco desenvolvido
  • Motivações sem explicações
  • Reinvenção, por vezes, fora do contexto da franquia de 007
  • Vilão com alguns momentos desequilibrados

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