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Últimas impressões sobre a temporada de Anime de Abril 2021

O universo otaku presenteia-nos de 3 em 3 meses com uma temporada cheia de novos animes, sejam novos ou continuações. E eu, a partir de hoje, vou ter a função de vir falar deles, a cada final de temporada. Como este projeto já está a ser arrastado há meses, vamos começar por uma temporada que já acabou há algum tempo, a de Abril, ou seja, a de primavera.

Neste artigo irei apresentar as minhas pequenas reviews a cada série que vi, e não são poucas, pela ordem em que os comecei a ver. Destacarei os momentos bons e menos bons da temporada e no final farei uma avaliação geral à temporada, então vamos lá!

Koikimo

Começando com o pé esquerdo, temos Koi to Yobu ni wa Kimchi Warui (ou só Koikimo). Koikimo conta a história de um rapaz MAIOR DE IDADE, que tem uma irmã mais nova que ele MENOR. Um dia, numa visita à casa dos seus pais, ele encontra uma jovem MENOR que conheceu no metro. Basicamente, ele ia cair das escadas, ela agarra-o, o puro clichê, nada de novo. E meio como forma de agradecimento, como todo o homem maior de idade faz, ele começa a usar os seus dotes de mulherengo para flirtar com a moça. Ela não gostou muito da situação e chamou-o nojento. E pelos vistos, como ele não estava acostumado com rejeições femininas, ele passou a idolatrar a rapariga, que mais uma vez, É MENOR. Para além do grande elefante da questão, a série não acrescenta nada de novo. As tramas são baseadas em triângulos amorosos chatos e simplórios e um forçadíssimo conflito familiar por parte do protagonista. O anime depois tenta passar para um fator mais sério no casal. O conflito de gerações ou como eu costumo chamar (Mãe, ele é o certo, apenas tem mais 10 anos que eu e eu sou menor). Mas o próprio conflito é tão artificial e tem uma resolução tão esperada e simples que nem isso acaba por ajudar a criar emoção. Parece que pediram a um computador para criar a comédia romântica mais default possível, adicionaram um twist problemático da idade, levaram ao forno e pronto, saiu Koikimo. É raso e se não fosse uma produção regular e bem conseguida e um humorzito leve e minimamente cativante, a minha nota seria bem pior. Levou um 4.

Goodbye, my dear Cramer

O próximo da lista é Sayonara Watashi wa Cramer ou Goodbye my dear Cramer. É um anime de desporto, nomeadamente de futebol feminino e conta a clássica história da equipa que começa no fosso, mas que com trabalho de equipa e alguns talentos fora da curva, vai cavalgando rumo a um percurso grandioso. Este foi muito agridoce para mim. Eu fiquei muito cativado por ele, mas sei reconhecer que ele não é muito bom. Para além de uma PÉSSIMA produção, mesmo das piores que já vi em anime do género, ele fica muito preso nos pequenos draminhas das personagens e perde a essência desportiva que prometia. Mostrava muitos poucos minutos de jogo. Eu acho que se mostraram 2 partidas completas foi muito e enrolavam muito no resto. Mas tenho de admitir: esse “resto” era muito cativante, as personagens são muitíssimo engraçadas e a sua dinâmica de grupo é fantástica. Creio que é daqueles casos que, com verba e um diretor decente, a coisa iria ao sítio. É pena. Ficou pelo 6 e ganha o meu selo de deceção da temporada. Não porque é o pior, mas porque esperava muito dele.

Osananajimi

A seguir vem Osananajimi. E este ganha o selo de pior anime da temporada. Ele fala sobre um ex-ator jovem, tipo Macaulay Culkin do Japão que desistiu de atuar depois da morte da sua mãe, uma atriz que morreu num acidente durante as filmagens de uma série que coprotagonizavam. No entanto, durante essas gravações, ele cria laços com 2 meninas, uma atriz e outra filha do financiador da série. Já estão a entender onde isto vai parar, não é? Mas calma, porque ainda se junta OUTRA RAPARIGA, a clássica amiga de infância. Uns anos passam e ele decide voltar à ativa e cria, em conjunto com o seu melhor amigo, uma produtora na escola, tipo um clube. Acho que é claro para todos que se trata de um clássico harém infantil e carregadíssimo de fan service. Mas ainda era pior do que eu pensava. Tal como o Koikimo, é como se fosse um software de como fazer um harém default. Não tem nada de novo, tem os clichés todos, desde o cair sem querer em cima das miúdas, as interrupções, tudo do harém está lá. Além disso, as personagens são forçadíssimas, a produção é razoável, mas nada demais, enfim, é terrível. Este é daqueles que me chateia. Não tem um pontinho de iniciativa, nada, ele nem tenta ser algo minimamente diferente. As produções até que são um pouquinho interessantes, mas não compensa nada nada. Dei 4 mas acho que está alto.

 

86

Seguimos para 86. Esse é bonzinho. Fala sobre um país, num futuro mais ou menos distópico em que a guerra é uma realidade muito presente. Esse país orgulha-se de não ter vítimas de guerra, uma vez que são as máquinas que se enfrentam na guerra…ou era suposto ser assim. Acontece que essas máquinas não se controlam sozinhas. O que aconteceu foi uma segregação da população, em que uma fatia minoritária, os 86, foram enviados para a guerra. Como o governo desse país retirou a identidade de todos eles, é como se eles não fossem realmente pessoas. Então, sempre que eles morrem, não conta como baixas humanas. Eles são comandados fora do campo de batalha por pessoas fora dos 86 e é aí onde se situa a nossa protagonista. Ela é comandante da tropa mais desobediente, mas mais eficaz em combate, liderada pelo Undertacker, o 86 mais poderoso. Ela é totalmente opositora a este regime e tenta criar laços com os seus combatentes, algo muito difícil por conta do preconceito mutuo das duas fações. A premissa é muito engraçada, a produção é lindíssima, das melhores da temporada. As personagens são minimamente carismáticas (algo super necessário para  a trama fazer sentido), porque se as personagens não prestarem, a ligação que tens com elas não funciona e então não vais querer saber do que vai acontecer a esse tal regime. Os episódios têm uma coisa interessante: Metade do episódio é segundo o ponto de vista dos 86 e a outra metade é sobre o ponto de vista da Lena, da protagonista. O meu problema com 86 é que os conflitos são muito baratos. Porque é que toda a gente aceita isso com tanta facilidade? O draminha da amiga da Lena é fraquíssimo. Mesmo o “ódio” do esquadrão em relação à comandante, por todos os fenómenos étnicos e tudo mais. Mas acaba em 2 ou 3 episódios e ficam amiguinhos. Mas tirando isso, nada a acrescentar. Um bom 7.

Nagatoro-san

Seguimos para Ijiranaide, Nagatoro-san. É um anime de comédia que conta as peripécias de um casal de estudantes, composto por uma rapariga mais nova, totalmente bully e dominadora e um rapaz mais velho que é constantemente apanhado nessa onde sádica da rapariga. É uma comédia romântica slice of life meio sadomasoquista e esquisita. Não é o tipo de humor que me pega, mas não é mal feito para o que se propõe. A produção é regular e os voice actors foram parte importante para ficar um anime “assistível”. É capaz de haver mais coisas sobre isto mais tarde, termina em aberto para isto. Não sei se vou ver. Acho que é um anime que pode enjoar se for muito esticado. É algo fresco e diferente, mas nada demais. Vejam e tirem as suas próprias conclusões. Para mim é 6.

Hige wo soru

Passamos para Hige wo soru. Eu acho que o nome diz tudo sobre esta história. A tradução do nome gigante, que abreviei como Hige wo Soru é nada mais nada menos que “Depois de rejeitado, cortei a barba e trouxe uma estudante de liceu para casa”. (Tempo de espera) É uma espécie de romance, harém esquisito, em que uma das pessoas é menor. Mas também não há um romance explícito. Ora um episódio eles parecem que têm interesse romântico um no outro, ora parece que têm uma relação de pai-filha. Eu gostei minimamente dos episódios em que eles parecem que vão ter uma relação familiar normal. Os outros deixam-me frustrado, afinal ELA É MENOR. Depois disso… a produção é fraca. De vez em quando usa uns 3Ds dos mais feios que já vi. As personagens são todas muito flutuantes, fracas de convicções, totalmente indecisas. É claro o porquê do autor as fazer assim: Como ele não tem capacidade de escrita suficiente para seguir a história de uma forma mais natural, precisa que as personagens se moldem à trama como ele quer. Para isso, precisa de personagens com essa capacidade de moldagem. Ora, se forem boas personagens, perdem essa capacidade de moldagem. O final é tão fraco como o resto, não me deixou minimamente contente, especialmente o draminha final com a mãe dela, que é literalmente a base de toda a trama. Enfim, não recomendo em nada. É um 5 muito pouco sólido.

 

Odd Taxi

O próximo é Odd Taxi. Eu não vou resumir Odd Taxi. Apenas dizer para irem ver Odd táxi. O texto fecha tão bem, começa por um amontoado de histórias independentes que se entrelaçam num bolo de sarilho e ação. A produção faz o anime tão relaxante e agradável de se assistir. Uma boa série para se ver ao domingo à noite para dar um último relaxamento antes de uma semana dura. É tudo tão amigável, tão identificável. O paralelismo entre o problema de personalização do japonês, muito abordado em Evangelion por exemplo e o uso dos animais. O japonês parece sempre ter uma dificuldade em se personalizar, em se identificar como individuo, fora da sua função. E isso também é visível em Odd táxi. Os comediantes, as idols, o influencer do primeiro episódio, são personagens que não se sabem muito bem ver-se a si próprios fora das suas funções e, com isso, têm problemas em relacionar-se com o próximo, mas ao mesmo tempo, todos parecem bem diferentes aos nossos olhos porque para nós é anormal vermos animais a agir como pessoas. Eu acho isso super interessante, se quiserem eu faço um vídeo só sobre Odd Taxi e esses assuntos. Deixem nos comentários. Veredito: é um 8 bastante sólido. Selo melhor anime da temporada.

 

The world ends with you

Seguimos para The world ends with you. Um anime promocional de um jogo da Square Enix que fala sobre pessoas que entraram aleatoriamente num jogo macabro de shinigamis e quem o ganhar pode sair do jogo e voltar à vida normal. Para entrarem, têm de pagar algo importante para eles. Pelos vistos, para o protagonista, esse preço foi a memória. Não há muito a dizer sobre este anime. Acho que cumpre bem o seu papel de apresentar o jogo e a história nele inserida. A produção nota-se que é de baixo orçamento, mas tem uns ângulos nas batalhas, por exemplo e um design bastante ousados. Mas, como se trata de algo promocional, não é bem contado, parece muito acelerado, que não tem tempo para apresentar tudo como deve ser e fica tudo muito superficial. Para quem gostava de saber se deveria ou não comprar o jogo pode ser interessante, mas não é um anime que recomendo vivamente. É um 6

 

Bishounen Tenteidan

A seguir vem Bishounen Tenteidan. Confesso que tinha saudades de uma produção da Shaft, mas tinha medo que Monogatari Series tivesse contagiado demais esta série visto que o escritor é o mesmo, a produtora é a mesma, por isso não seria difícil isso acontecer. Mas não. É um anime difícil descrever o que é o Bishounen Tenteidan. O título pode ser traduzido por Meninos Bonitos Detetives. E é isso. São meninos…bonitos…que investigam coisas. Gosto muito da sua noção de beleza, muito ligada à sua juventude, eu gosto disso. Gosto de toda a estética muito característica de produções da Shaft, mas que tem um novo gosto, um novo aroma. É um anime muito bizarro, muito fora do padrão e reconheço que não seja para todos. Mas para quem gosta de um anime com o nível de complexidade textual de um Monogatari, especialmente nos diálogos, mas como uma estética mais juvenil, de menos compromisso e com personagens incrivelmente carismáticas, acho um bom título. É uma lufada de ar fresco numa temporada com muita coisa mais do mesmo. Recomendo muito, é um 8 para mim. Selo melhor surpresa da temporada, não estava à espera de algo deste nível, mesmo sendo da Shaft.

 

Godzilla Singular Point

Seguimos para Godzilla Singular Point. A história fala sobre grupos de investigação separados, mas que se intercomunicam de diversas formas na história que investigam pontos singulares, que são eventos fora do comum que começam a aparecer, como chegada de bichos semelhantes a dinossauros nunca antes vistos e outras coisas. Eu acho um anime ok. Acho-o bastante ousado, até esteticamente. Tal como Odd Taxi parece ser meio pintado a lápis de cera, a paleta de cores é diferente. Mas eu acho que ele perde-se muito. Ele tenta ser algo muito complexo e tem espaço para isso. Mas acho que com o tempo que teve não conseguiu chegar onde queria e fica muito confuso pelo meio e isso incomoda-me. Parte da pesquisa, especialmente a parte mais teórica passou-me completamente ao lado porque eu realmente não consigo perceber onde eles querem chegar. Acho que com mais tempo e mais atenção ao detalhe era possível algo muito melhor, talvez uma nota bem próxima da máxima, mas ficou só pela intenção. Fica-se pelo 6, mas recomendo, está no Netflix.

 

Vivy

E chegamos ao último da lista que é Vivy. Vivy é a primeira android com inteligência artificial com uma função no planeta. A sua função é deixar as pessoas felizes com a sua música e que para isso ela deve cantar com o seu coração. Acontece que ela desconhece o que é cantar com o coração. Apesar dessa dúvida a perseguir, ela segue a sua vida normalmente. Até que aparece outro robô que diz que vem de um futuro longínquo e que precisa dela para conseguir com que o mundo não seja destruído por uma revolução das máquinas. A história passa por esses anos que acompanham a jornada de Vivy ou Diva, que é o seu nome de fábrica a tentar concertar a história e impedir uma revolução das máquinas. A minha primeira nota vai para a produção. O Wit Studio soube fazer um incrível trabalho em tudo o que é aspeto técnico. Em visual, na animação, no design, banda sonora. Acho que foi o melhor trabalho de produção em conjunto com Bishounen Tenteidan talvez. A história não é algo muito complexo, mas não é nada mal feito, as personagens são competentes, mas também nada de extraordinário. Acho que é um bom anime de temporada. Soube se organizar no tempo, tem um ritmo amigável, apesar de achar um pouco aborrecido em alguns momentos, como o arco do festival, quem viu sabe qual é. Acho que cumpre bem o que prometeu e deixou-me satisfeito no fim. É um bom 7.

Irei deixar Tokyo Revengers e To your eternity para um próximo artigo, visto que eles acabaram na temporada de verão. Vídeo dessa temporada em breve.
Concluindo, acho que foi uma temporada que nos deu excelentes títulos, como Odd Taxi, mas que nos carregou de animes clichês e mais do mesmo para cativação de um público mais casual e e novo. Não foi das piores temporadas, contudo.

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