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Análises, Cinema

The Personal History of David Copperfield – Análise

O diretor Armando Iannucci (conhecido por dirigir a série Avenue 5 e os filmes The Death of Stalin e Alan Partridge: Alpha Papa), fez chegar aos cinemas uma adaptação do livro de Charles Dickens, The Personal History, Adventures, Experience and Observation of David Copperfield. Uma estória que conta as várias aventuras de David Copperfield, desde a sua infância até ao momento que se torna um escritor de renome.
Esta é uma longa-metragem que está recheada de grandes atores do grande e pequeno ecrã, tais como, Dev Patel (nomeado para vários prémios da academia e vencedor de um BAFTA), Hugh Laurie (distinguido com dois globos de ouro como melhor ator pelo seu papel de Dr. House), Tilda Swinton (vencedora de um Óscar e de um BAFTA como melhor atriz secundária no filme Michael Clayton, contando também com várias nomeações para prémios da academia), Ben Whishaw (famoso pelas suas interpretações magníficas em, Perfume: The Story of a Murderer, Cloud Atlas e na série The Hollow Crown) e ainda Gwendoline Christie (célebre pelos seus papéis de Captain Phasma, na mais recente série cinematográfica de Star Wars, e de Brienne of Tarth na série Game of Thrones).

As aventuras…

Enquadramo-nos em meados do século XIX, onde David Copperfield (Dev Patel) em pleno palco conta as suas aventuras, desde a sua nascença até se tornar no que está perante o público, um escritor (referindo-se como herói na própria história, ou podendo esta ser a história de qualquer pessoa).
Tudo começa em “The Rookery”, no momento em que chega ao mundo, numa casa onde apenas vive a sua mãe Clara Copperfield (Morfydd Clark) prestes a “dar à luz” uma criança e a servente, a Sra. Peggotty (Daisy May Cooper) que está muito atarefada a preparar todos os preparativos para o parto. Ainda neste segmento, presenciamos vários momentos de comédia, com a chegada de um familiar, a sua tia Betsey Trotwood (Tilda Swinton).
Apesar de pequeno e na perspetiva de David ser tudo gigante, podemos ver que este é um menino muito alegre e feliz, que gosta de se aventurar nos jardins, aprender com a Sra. Peggotty e ler com a sua mãe. No entanto, toda a sua alegria vai-se desvanecendo até sucumbir, com o surgimento de Edward Murdstone (Darren Boyd), que posteriormente acaba por se casar com Clara Copperfield. Após esta união, Edward Murdston vai viver para a casa dos Copperfield juntamente com a sua irmã, Jane Murdstone (Gwendoline Christie). Privado das brincadeiras de crianças, e de forma a ter uma “melhor” educação, o protagonista, é enviado pelos irmãos para trabalhar numa fábrica.

O pequeno protagonista, encontra-se sozinho na cidade de Londres, onde tudo lhe parece maior, sendo uma forma metafórica de nos colocarmos na posição de David, mas também a sua percepção de distinguir as pessoas malévolas, pois todos aqueles que na sua perspetiva apresentam uma aparência gigante, estão associados de alguma forma à maldade.
Após a sua chegada a Londres, David é acolhido por uma família muito carenciada e endividada. Apesar das dificuldades e com o passar dos anos, o nosso herói vai progredindo profissionalmente na fábrica, até ao dia que revê uns fantasmas do seu passado, que após lhe darem uma notícia, faz com que ele largue tudo e vá procurar a sua tia.
No momento que é acolhido na casa da Sra. Trotwood, ele conhece o Sr. Dick (Hugh Laurie), um familiar que acredita ter todas as preocupações do rei Charles I, que lhe foram transmitidas no momento da decapitação do rei. O Sr. Dick, é um escritor iluminado, que transcreve todas as suas ideias para pequenas notas, de forma similar ao nosso protagonista, incentivando este na sua aprendizagem de escrita e leitura, vivendo juntos diversas aventuras. Passado uns tempos, David é enviado pela sua tia para uma escola, para se tornar um lorde, conhecendo aí James Steerforth (Aneurin Barnard), que se interessa muito pelas aventuras do nosso herói, tornando-se o seu amigo mais próximo. Nesta fase ele também conhece Uriah Heep (Ben Whishaw), um oportunista sedento por ascender socialmente a qualquer preço.

Durante a formatura, David apaixona-se, e enverga por uma profissão ligada à justiça. Posteriormente a mais uma mudança na sua vida, o nosso protagonista vê-se limitado, pois praticamente todos que o ajudaram durante as suas aventuras, reaparecem transtornados e a necessitarem de auxílio.
Copperfield, sente-se em dívida para com todas estas personagens, pois todos em algum momento da sua vida o acolheram. Então decide ajudá-los, o que se revela uma tarefa árdua, pois descobre que está falido. No entanto, todos juntos e de forma criativa, conseguem contornar a situação em que se encontram, vencendo o vilão que orquestrou toda esta situação.
O pequeno rapaz que nasceu em “The Rookery”, um menino criativo e com um gosto especial para escrita e leitura, percebe que a convivência com pessoas de carácter muito forte (que foi tendo durante o seu crescimento) o tornam na pessoa que é, e no escritor, que inicia esta longa-metragem a apresentar a sua história em pleno palco, mas que podia ser a de qualquer outra pessoa.

David Copperfield…

The Personal History of David Copperfield, apresenta de uma forma original uma grande diversidade racial de atores, no entanto, apesar de ser um bom incentivo, inovador e de poder mudar a forma como o cinema pode garantir uma maior representatividade diversificada, esta, em alguns momentos, é demasiado excessiva e forçada. O ritmo a que o filme se desenrola é desequilibrado, pois mantém sempre a mesma duração nos diferentes capítulos, levando a alguns a ter mais tempo que o necessário e outros o oposto. Para além do ritmo, a combinação drama/comédia também é desajustada, pois em alguns momentos dramáticos, a inclusão de comédia retira o impacto e coerência dos mesmos.
Com o elenco presente nesta longa-metragem, não podíamos esperar nada menos do que excelentes prestações, destacando-se as interpretações de Hugh Laurie (que é um apoio fundamental ao protagonista), Daisy May Cooper, Tilda Swinton, Darren Boyd que tem um impacto muito forte no David. É de destacar ainda, que apesar do pouco tempo de antena, Gwendoline Christie consegue roubar todas as atenções para ela quando está em cena. No entanto, a prestação do Ben Whishaw fica um pouco aquém do esperado do ator e das necessidades da personagem que este interpreta.
O filme apresenta uma cinematografia muito bem construída e adequada ao enredo que seguimos, assim como a banda sonora.
De uma forma geral, é uma adaptação interessante, inovadora, com sequências que nos fazem prender ao enredo, no entanto o ritmo retira um pouco da beleza e intensidade da mesma.

Partilhamos, convosco uma pequena amostra desta aventura de David Copperfield…

6.0
Score

Pros

  • Interpretação dos atores: Hugh Laurie e Daisy May Cooper
  • Inovação na forma de incluir diversidade racial
  • Cinematografia
  • Banda sonora

Cons

  • Ritmo da narrativa
  • Desequilíbrio entre drama e comédia
  • Diversidade racial excessiva em alguns momentos
  • Interpretação do Ben Whishaw
  • Clímax um pouco desapontante
  • Alguns desenlaces da aventura, são óbvios

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