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Análises, Cinema

The New Mutants – Análise

Esta longa-metragem é uma adaptação das Comics Books da Marvel, intituladas com o mesmo nome, dos criadores Chris Claremont e Bob McLeod. O diretor Josh Boone, mais conhecido pelos seus trabalhos em filmes românticos e dramáticos, tais como, Stuck in Love e The Fault in Our Stars, em The New Mutants decidiu envergar por estilo cinematográfico de terror com super-heróis. Esta nova versão, pertence aos mesmos produtores dos filmes e séries associadas aos X-Men (ex.: primeira e segunda trilogia de X-Men, Deadpool e Logan; as séries Legion e The Gifted). Uma cinematografia pertencente a Peter Deming, um vencedor do prémio Independent Spirit Award nesta categoria com o filme Mulholland Drive.
Quanto ao elenco, apesar deste ser reduzido, podemos contar com alguns nomes reconhecidos por muitos, tais como, Alice Braga (tendo participado nos filmes I Am Legend e The Rite), Anya Taylor-Joy (uma atriz que desempenhou brilhantes papeis em The Witch e Split), Maisie Williams (uma das protagonistas de Game of Thrones), Charlie Heaton (um recorrente actor na série Stranger Things), Henry Zaga (teve pequenas participações nas séries Teen Wolf e 13 Reasons Why) e podemos também contemplar os primeiros passos da atriz Blu Hunt (uma atriz que fez parte do elenco da série The Originals) no mundo do cinema.

A Ilusão…

Iniciámos esta longa-metragem com Dani Moonstar (interpretada por Blu Hunt) a ser acordada pelo pai, devido a uma catástrofe natural (um tornado), que está a ocorrer onde moram e fogem para o bosque para tentar sobreviver. Contudo, o seu pai é apanhado por este cataclismo, enquanto Dani acaba por cair desmaiada no chão. Após este evento, a protagonista desperta, numa cama de hospital, sem saber como lá chegou, nem o que sucedeu com ela e o seu pai. Neste momento, surge a Doutora Cecilia Reyes (Alice Braga), responsável pelo local, e revela que Dani é muito especial (dando-lhe a entender que seria uma mutante) e que devido a isso, ela foi a única sobrevivente do desastre que arrasou a sua reserva.
 
A Dr. Reyes, leva Dani a conhecer os outros “pacientes” (os seus novos companheiros de terapia) que se encontram internados no mesmo local. Estes revelam que são mutantes, como ela, e que estão ali para descobrirem e aprenderem a utilizar os seus poderes, de forma a não voltarem a magoar mais ninguém. Reyes, apresenta-se como uma pessoa extremamente preocupada com os jovens em questão, além de ser muito meticulosa no tratamento deles, contudo é extremamente rigorosa e severa, principalmente quando eles não cumprem as regras.
Este grupo (Rahne Sinclair, Roberto Costa, Illyana Rasputin e Sam Guthrie) é a nova família da protagonista, durante a sua permanência na instituição. Rahne Sinclair/Wolfsbane (Maisie Williams) é uma jovem gentil e religiosa, que apresenta um enorme sentimento de culpa, devido a eventos ocorridos no seu passado, quando descobriu possuir a habilidade de transformar num lobo. Roberto Costa/Sunspot (Henry Zaga) é o único que assume ter receio do seu poder e de magoar alguém, como já ocorreu anteriormente, no entanto ele é muito impulsivo e destemido. A jovem de origem russa, Illyana Rasputin/Magik (Anya Taylor-Joy), apresenta uma personalidade muito peculiar, sendo a mais irreverente e mais rebelde do grupo, apesar disso, tem pleno conhecimento das suas habilidades e sabe bem como as utilizar, no entanto, grande parte das suas atitudes e a sua elevada dependência pelo seu melhor amigo Lockheed, são para esta tentar esconder dos outros os seus receios. Sam Guthrie/Cannonball (Charlie Heaton) é um rapaz muito pacato, mas também traumatizado pelo que lhe aconteceu no passado, quando trabalhava nas minas, isto motiva-o a tentar a todo o custo aprender a controlar o seu poder.
Todos estão consciencializados de que estão naquele edifício, para se tornarem melhores, e talvez poderem ascender ao grupo mundialmente reconhecido, os X-Men.

O primeiro instinto de Dina, é de fugir do hospital, mas, rapidamente apercebe-se que este local, não é um simples edifício, mas sim uma “jaula” (ou uma prisão), que está a ser bem controlada pela Doutora Reyes, que vigia a todos constantemente, de forma a dominar os pacientes, para que estes não façam nenhuma “loucura”, pois se desobedecerem as regras impostas, são colocados na solitária.
Com o decorrer da estória, Illyana, devido à sua rebeldia, tenta impor-se de uma forma mais impetuosa perante Dina, para tentar perceber qual é o seu poder ou que esta o revele, isto cria diversos conflitos entre as duas. Todavia, Rahne aborda a protagonista de uma forma mais amigável, ajudando-a a lidar com a situação que se encontra a viver, dando-lhe a conhecer diversas áreas da “jaula”, e assim ambas tornam-se muito próximas.
Roberto e Sam, permanecem mais afastados dos confrontos existentes, no entanto, são estes os primeiros a descobrir que algo de errado se passa no local onde habitam, pois começam a reviver situações do passado, que os deixam muito inquietos, e os maiores receios deles voltam a imergir. Ao longo das interações entre personagens é possível observar um crescimento deste tipo de situações aterradoras, e quase todas as personagens acabam por vivenciar o próprio medo que tentam enterrar há vários anos.

Com o passar do tempo, os novos mutantes ficam desesperados por arranjar um forma de conseguir fugir da “jaula”, que é o local onde se encontram, mas que é sempre referido pela doutora Reyes como uma instituição que serve para os proteger até eles conseguirem controlar com eficácia as suas habilidades, e assim que alcancem essa capacidade, eles poderão sair sem riscos e ter contacto com outras pessoas. Com o desenrolar do enredo, os nossos heróis são cada vez mais confrontados com os seus medos, tornando-se cada vez mais reais. Inicialmente é complicado para eles confiarem uns nos outros, devido a todos os conflitos que ocorreram entre eles, mas, para superar os seus pesadelos e sobreviverem, eles concluem que têm de colocar todas as suas desavenças de lado e trabalhar em conjunto.

A Projeção…

Em The New Mutants, podemos ver um filme de super-heróis diferente ao que estamos habituados no grande ecrã. Apesar deste ser um PG-13, existem elementos de terror que podem assustar os mais novos e distraídos, juntamente com a banda sonora de Marc Snow (criador na sonografia da série cinematográfica de X-Files), que nos ajuda a entrar neste mundo. Algo que se destaca de imediato, é a premissa desta longa-metragem, que apesar de ser simples é bastante interessante, no entanto, a sua edição fica um pouco aquém do esperado, pois é notório os problemas existentes, especialmente alguns cortes de cenas (que não são coerentes ou não se justificam), pois pouco ou nada acrescentam ao desenrolar da estória.
Quanto à interpretação dos atores, de um modo geral, estes tiveram um bom desempenho, destacando-se a atriz Maisie Williams, que manteve a sua personagem cativante até ao final desta aventura, mantendo a consistência do sotaque escocês, requerido pela Rahne Sinclair. A Anya Taylor-Joy, também teve uma boa performance, sendo o único pequeno detalhe a não conseguir manter sempre, o sotaque (mais exigente) da sua personagem. Contudo, a interpretação da jovem atriz Blu Hunt, não foi tão impactante como o restante elenco.
Apesar deste filme, ter planos e cenários interessantes, neste género cinematográfico, o desenlace de The New Mutants no final, deixa um pouco a desejar, pois o confronto e o desfecho nesta fase, fica a saber a pouco, ficando com a sensação de que falta algo. Salienta-se também, principalmente com o desenrolar dos eventos, que este aparentemente, é mais um que apresenta um foreshadowing, para tentar, mais uma vez, introduzir uma determinada personagem, sem nada concluir. Para finalizar, uma pequena referência, pois os mais atentos e curiosos, podem observar uma espécie de cameo do artista Brian Hugh Warner (também conhecido como Marilyn Manson).
Em suma, The New Mutants, não é o melhor filme da 20th Century Studios nem da franquia de X-Men, mas devido a todos os elementos inovadores que tentaram introduzir neste género cinematográfico, com uma premissa interessante e aos restantes elementos acima referidos, é possível afirmar que este é um filme razoável.

Por fim, partilhamos convosco, uma pequena amostra desta nova mutação nos filmes de super-heróis.

6.0
Score

Pros

  • Premissa interessante
  • Inserção e mistura de elementos de terror num filme de super-heróis (uma “mutação” para este estilo de filmes)
  • Interpretação de Maisie Williams
  • Cenários de terror

Cons

  • Edição do filme
  • Aparentemente as restantes personagens, só começam a se conhecer, após o aparecimento de Dani (quando se percebe que já estavam naquele local há muito tempo)
  • Interpretação de Blu Hunt
  • Desfecho final um pouco insípido

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