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Análises, Jogos

Short Games Collection #1 (Nintendo Switch) – Análise

A Nerd Monkeys, presenteia-nos já no início de outubro, com uma excelente coleção de jogos curtos Indie, estamos a falar de Short Game Collection (também conhecido por SGC). Antes de seguirmos para a análise, deixamos aqui o nosso sincero agradecimento à Nerd Monkeys, parte da equipa da CaixaNerd, por nos terem fornecido uma cópia deste jogo, antes do seu lançamento.

Short Games Collection trata-se de uma colaboração entre vários criadores de videojogos espalhados pelo Mundo e a Nerd Monkeys. Tal como o nome indica, é uma coleção de jogos de curta duração, que se podem jogar de início ao fim de uma só vez, sendo no total cinco jogos diferentes que num curto espaço de tempo pretendem transmitir várias emoções ao jogador.

 

Impressionado logo desde o início

A primeira coisa com que nos deparamos ao entrar no SGC é o menu inicial, que nos deixa logo de “boca aberta”. Trata-se de um ambiente subaquático tridimensional bem iluminado, criado pela artista Joana Branquinho, onde se encontram formas de vida marinha a movimentar-se pelo espaço, entre as quais um grande peixe, com tons alaranjados, acompanhado de uma rapariga de cabelo roxo, com um cristal reluzente à sua frente. O ambiente que os rodeia é mágico, pintado em tons de azul-claro, de rosa e lilás (uma das minhas combinações de cores preferidas, inclusive costumo usar regularmente a combinação de Joy-Cons azul e rosa na Switch, que se encaixa muito bem neste tema), deixando os nossos “olhos arregalados”, com este esplendoroso e belo cenário.

O menu navega por este espaço, por onde estão espalhados os cinco jogos, juntamente com os créditos, estando cada um dos cristais na rapariga, no peixe e no espaço à volta. Existe também um menu ao premir o botão +, que permite selecionar os jogos mais rapidamente, isto é, sem ter que esperar pelo movimento da navegação da câmara pelo cenário.


 

Swallow The Sea, devorar ou ser devorado

O primeiro jogo, com que nos deparamos, é Swallow The Sea, criado por Maceo bob Mair e Nicolás Delgado. O jogo começa com uma pequena célula a navegar pelas profundezas do mar, onde o objetivo é caçar formas de vida mais pequenas para crescer e fugir de seres maiores, de forma a não ser devorado. Quando estas criaturas forem grandes o suficiente, conseguimos devorar os predadores, dos quais anteriormente estávamos a fugir (assemelhando-se muito à primeira fase de evolução do jogo Spore, mas mantendo uma identidade própria, muito mais cinemática e linear).

O jogo transmite uma sensação de sobrevivência incrível, introduzindo, desde muito cedo, vários perigos de forma a nunca deixar baixar a guarda e a manter um medo permanente. No entanto, quando crescemos o suficiente para poder perseguir um inimigo, sentimo-nos poderosos e recompensados, contudo este sentimento é rapidamente desvanecido, pois surgem num ápice espécies maiores que nos querem comer (o equilíbrio entre estas duas sensações de medo e poder é, a meu ver, perfeita).

Ressalva-se que existe um pequeno inconveniente, pois quando as células pequenas fogem contra paredes, uma camada visível acaba por tapá-las, sendo depois difícil de as encontrar, mas isto pode ser considerado como uma mecânica de defesa intencional, sendo apenas e um pequeno percalço para o jogador.


 

A Game About Literally Doing Your Taxes, o título diz tudo

Seguidamente temos A Game About Literally Doing Your Taxes, desenvolvido pela Not a Sailor Studios. Neste jogo somos encarregues de separar o correio, guardando as taxas, os papéis importantes e deitar fora as correspondências publicitárias. No final recebemos a conta do lucro feito, sendo que as taxas o fazem subir este valor e as publicidades descer (assim podemos alcançar lucros de milhares ou negativos). Com isto é possível fazer uma assinatura e conseguir passar à fase seguinte.

O jogo é simplesmente e literalmente isto. Será que vale a pena ter o trabalho de separar as taxas para apenas obter um valor no final? É o que este jogo nos tenta fazer inquirir, com vozes de fundo a mandar-nos parar e com papéis estranhos a aparecer ocasionalmente, fazendo-nos questionar as nossas decisões no dia-a-dia.

Nesta aventura é possível usar o ecrã tátil da Switch no modo portátil, o que dá jeito para fazer uma assinatura mais detalhada, podendo rabiscar uma página inteira. Contudo, creio que seria mais desafiante e apelativo, se fossem criados objetivos e respetivas consequências (mesmo que subtis), para diferentes desempenhos na separação das taxas, caso o lucro seja de um certo valor acima ou abaixo, pois o jogo é totalmente indiferente ao resultado de cada fase.


 

Uranus, um duelo com sequências vibrantes

Diferente dos restantes, Uranus é um jogo feito pela Not a Game Studio, de competição 1 contra 1, com multijogador local ou só um jogador contra uma inteligência artificial. Esta aventura decorre dentro da cabeça de um anjo, em que dois olhos alados se defrontam numa superfície esférica, deixando para trás um rasto, tendo como objetivo encurralar o adversário no seu rasto, de forma a este perder o seu caminho, ganhando uma ronda aquele que fechar primeiro o olho à medida que vai fazendo o seu percurso sem ser interrompido e explodir, isto até que alguém ganhe sete rondas.

É importante salientar que este jogo não é recomendável a quem tem epilepsia fotossensível, visto que contém vários flashes de cor, que podem causar perturbações aos jogadores. No entanto, é nesta variedade de cores e movimentos que está o apelo visual, pois trata-se de uma competição alucinante que deve ser experienciada, preferencialmente, contra um amigo.

É possível jogar sozinho, sendo possível selecionar três níveis de dificuldade: “Fácil”, “Normal” e “Difícil”. Contudo, para ser mais emocionante e competitivo, é recomendável jogar Uranus com mais alguém.


 

The Good Time Garden, uma viagem num mundo estranho

The Good Time Garden é uma aventura bizarra, criada por James Carbutt e Will Todd. Trata-se de um Mundo húmido, habitado por várias criaturas despidas, por onde o personagem principal passeia. O nosso protagonista consegue fazer três ações: agarrar pequenos seres e lançá-los ao ar (com o botão A), dar palmadas (com o botão B), e regar usando a sua pequena tromba (com o botão Y). Com estas atividades, ele vai desbloqueando novas áreas e conhecendo outros seres bizarros.

Este Mundo surreal transmite-nos uma enorme estranheza, juntamente com todas as personagens que nele habitam, também graças às suas vozes e outros efeitos sonoros. Algumas pessoas, no entanto, poderão sentir-se enojadas com esta experiência, por isso existe um menu (ao premir o botão +) com a opção “Make It Stop”, para abandonar o jogo.

Ghostein, história de uma época infeliz

Para concluir, temos Ghostein, que conta uma estória feita pela Parampara. Nela, o jogador controla um fantasma que usa cartazes para ajudar um jovem a fugir dum campo de concentração, durante a Segunda Guerra Mundial. Com recurso aos cartazes, podemos fazer o rapaz mover-se para a esquerda, a direita, parar e esconder-se, de modo que nenhum dos soldados alemães o encontre.

A aventura é contada num estilo 2D pixelizado, com tons típicos de documentários que relatam os acontecimentos desta época. O jogo transmite o medo do personagem ao jogador, através de cinemáticas e efeitos sonoros arrepiantes, mostrando cenas chocantes, mas não muito gráficas. Esta sensação, infelizmente, vai-se perdendo ao longo da aventura, visto que o nível de dificuldade não sobe muito ao longo da mesma, e não são apresentados novos desafios. Além do mais, o facto de existir uma única sequência quando o rapaz é avistado, não enriquece a experiência, sendo que esta é alusiva apenas à primeira parte do jogo, não causando tanto impacto posteriormente.

As mecânicas do jogo são um pouco difíceis de entender à primeira, sendo que existe um pequeno período de adaptação, que pode ser frustrante.

 

SGC vale a pena afinal?

SGC, vale muito a pena, pois é constituído por 5 jogos muito bons (cada um pelos seus motivos), oferecendo uma grande variedade de boas pequenas experiências, fáceis de partilhar com amigos. Claro que a escolha do melhor jogo entre os cinco vai depender de pessoa para pessoa, (no meu caso é o Swallow The Sea).

Para concluir, recomendo vivamente a adquirirem este conjunto de jogos incríveis, destaca-se ainda o preço apelativo de 13.59 euros (incluindo já 20% de desconto). E para os que arranjarem, comentem nas nossas redes qual é o vosso preferido e porquê… Stay Nerdie!

8.0
Score

Pros

  • Menu principal soberbo
  • Variedade de jogos
  • Swallow The Sea: Bom equilíbrio entre medo e poder
  • A Game About Literally Doing Your Taxes: Faz refletir sobre as nossas decisões do dia a dia
  • Uranus: Efeitos alucinantes aliados a jogabilidade competitiva
  • The Good Time Garden: Mundo muito bem caracterizado
  • Ghostein: Cenas fortes que transmitem o medo do personagem
  • Preço de lançamento bastante apelativo para um conjunto de 5 jogos

Cons

  • A Game About Literally Doing Your Taxes: Ausência de conseguências conforme a prestação
  • Ghostein: Torna-se repetitivo perante ausência de novos desafios

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