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Respect é um drama biográfico, baseado na história de vida de Aretha Franklin, de autoria de Liesl Tommy. Curiosidades à parte, apesar da vasta experiência de realização, seja no teatro ou em televisão em séries como Jessica Jones, The Walking Dead, Mrs. Fletcher, Liesl Tommy nunca realizou nenhuma longa-metragem de cinema.

Este filme apresenta um elenco vasto, recheado de atores de renome dentro da indústria do cinema, desde a protagonista Jennifer Hudson (cantora e atriz americana, conhecida pelas suas interpretações em Sex and the City, Winnie Mandela, Lullaby, ou dando a voz a Nana Noodleman jovem em Sing, entre outros). O elenco conta também com Forest Whitaker (o conceituado e já galardoado ator americano, com participações em Bird, Phenomenon, Panic Room, The Last King of Scotland – onde arrecadou diversas nomeações e premiações, Lee Daniels’ The Butler, Black Panther, etc.), Audra McDonald (atriz e cantora alemã, não só de cinema mas também de séries de televisão, assim como de teatro, reconhecida pelas suas interpretações em Ricki and the Flash, Beauty and the Beast, Private Practice, Grey’s Anatomy, BoJack Horseman, entre outros), Marlon Wayans (um ator, comediante, escritor e produtor, conhecido principalmente pelas participações em Requiem for a Dream, Scary Movie, Six Degrees, A Haunted House, Sextuplets, entre outros), Marc Maron (ator e também comediante, reconhecido pelas suas interpretações em Almost Famous, Frank and Cindy, Sword of Trust, Joker, Stardust, Maron, GLOW, etc.), entre outros atores.

A Música…

Este drama biográfico, Respect, inicia-se em 1952, com a nossa protagonista Aretha (Skye Dakota Turner) ainda muito jovem, com cerca de 10 anos de idade, onde vive com o seu pai C. L. Franklin (Forest Whitaker), que desde cedo reconhece o seu potencial, e tenta demonstrá-lo com toda a gente da sua igreja Batista, onde é reverendo.

Durante o tempo que seguimos Aretha, ainda criança, observamos desde imediato que o seu valor é aproveitado em prol da igreja. Mas, é nos valores que a sua mãe, Barbara (Audra McDonald), lhe tenta passar, principalmente no que diz respeito à sua voz, que Aretha se suporta para crescer enquanto cantora, já que Barbara é o seu maior ídolo, mesmo estando separada de seu pai, e de apenas ter contacto esporádico com ela.

Passado uns anos, Aretha (nesta fase, é interpretada por Jennifer Hudson), no final da sua adolescência, tem inúmeras ambições para a sua carreira musical, sendo o seu principal objetivo ascender às grandes produtoras musicais para criar os seus álbuns. É numa das reuniões convocadas por seu pai, para juntar toda a comunidade da igreja, que C. L. Franklin decide fazer um grande comunicado, anunciando assim, que Aretha vai assinar um contrato com uma produtora em Nova Iorque, a mundialmente conhecida Columbia Records.

Assim que Aretha e seu pai chegam à produtora, C. L. Franklin apresenta-se como manager de Aretha, abafando por completo qualquer ideia que esta possa ter sobre a música, mesmo com o interesse dos produtores, Aretha, apenas faz o que seu pai manda, não apresentando nenhuma opinião própria sobre qualquer assunto.

Após assinar o contrato, a nossa protagonista começa a gravar discos com músicas não originais (covers de outras lendas do soul), o que começa a suscitar desconforto em Aretha, pois ela quer os seus singles com músicas originais, deixando de viver na sombra de outros músicos.

Esta situação leva Aretha a entrar em conflito com seu pai, o que faz com que esta queira se afastar dele. Uns anos mais tarde, numa das convenções de C. L. Franklin, Aretha conhece Ted White (Marlon Wayans), um produtor local, que incentiva Aretha a arriscar nos seus próprios sonhos, e criar as suas próprias músicas.

Após os dois (Aretha e Ted), iniciarem um romance, Aretha decide “abandonar” a família, e assim ir viver com o seu marido Ted White, que a tenta ajudar a encontrar os melhores músicos e locais para que esta possa criar os seus próprios hits. Após vários contactos, Ted consegue encontrar um estúdio e músicos com interesse para gravar com Aretha, mas tal parece tornar-se num pesadelo para Aretha, pois qualquer olhar feito pelos músicos é visto com más intenções por parte de Ted, acabando por agredir Aretha.

Apesar de todos estes conflitos conjugais, Aretha consegue criar o seu primeiro original, “I Never Loved A Man (The Way I Love You)“, e assim, juntamente com Ted assinam um novo contrato com o produtor Jerry Wexler (Marc Maron), da Atlantic Records. Com isto, Aretha começa a criar o seu império na música, mas com ele, Aretha é “aprisionada” num mundo negro de violência, onde a nossa protagonista não podia ter uma opinião própria, sem que esta fosse aprovada pelo seu marido Ted White. Até que Aretha, juntamente com as suas irmãs, Erma Franklin (Saycon Sengbloh) e Carolyn Franklin (Hailey Kilgore), criam a mítica música original “Respect“, que acaba por ser o ponto de partida para a sua luta na separação do seu marido.

O Respeito…

Respect, é uma obra dramática que retrata a vida de Aretha Franklin, desde a sua infância até ser adulta. Durante esse tempo, é possível observar todo o tipo de violência que passou, seja a repressão do seu pai, da violação que sofreu em criança, que a leva a engravidar muito jovem, até à violência física que começa a sofrer às mãos do seu primeiro marido.

Apesar de ser a primeira realização de uma longa-metragem de cinema, da realizadora Liesl Tommy, ela tenta com uma narrativa simples passar todas estas mensagens e os momentos mais críticos da vida de Aretha, de uma forma faseada, incluindo a relação que tinha com uma amigo de família, que ela tratava por “tio”, por quem tinha um enorme respeito e por quem dava a cara e a voz na luta pelos direitos dos negros, Martin Luther King Jr..

Contudo, devido a toda esta apresentação, onde existem diversos saltos temporais, para que o espectador possa observar a violência que foi a vida de Aretha, a narrativa é o que acaba por sofrer, pois é-nos apresentada com um ritmo bastante desequilibrado, e acaba por não dar nenhum foco a um destes marcos, pois são nos revelados tantos eventos, que nenhum tem o tempo necessário para captar totalmente o expectador.

No que diz respeito às interpretações, Jennifer Hudson e Forest Whitaker, são brilhantes da forma como se entregam aos seus papéis, e sempre que contracenam apresentam momentos tensos, enquadrados com o que está a acontecer. Contudo, com o passar dos anos, conseguimos observar todo o meio envolvente a envelhecer, com a exceção de algumas personagens, em que os anos não passam por elas causando alguma estranheza.

Em suma, Respect, é um filme que demonstra a difícil vida de Aretha Franklin, as diversas desavenças no seu seio familiar, a relação conflituosa entre os seus pais, a violação sofrida em criança por um conhecido do seu pai, a intransigência do seu pai com ela e, mais tarde, a violência doméstica sofrida durante o seu primeiro casamento. Apresenta interpretações fantásticas, contudo peca muito devido ao ritmo da narrativa que é bastante desequilibrado, pois tem demasiados saltos temporais para tentar demonstrar tudo o que ocorreu na vida de Aretha, e isto, acaba por enfraquecer um pouco a narrativa desta longa-metragem. Devido a este problema, o impacto que o título do filme devia ter com o que nos é apresentado, fica aquém das expectativas, principalmente pelos momentos finais do filme.

Partilhamos, convosco o trailer deste drama biográfico…

6.0
Score

Pros

  • Interpretação de Jennifer Hudson
  • Interpretação de Forest Whitaker
  • Interpretações musicais excelentes
  • Banda sonora

Cons

  • Ritmo da narrativa desequilibrado
  • Demasiadas quebras temporais (perde-se o foco do desenvolvimento da narrativa)
  • Caracterização inadequada de alguns personagens (pois não envelhecem com o passar do tempo)

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