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Análises, Cinema

Reminiscence – Análise

Reminiscence é um filme do estilo noir de ficção científica, que nos remete para um possível futuro, onde os efeitos das alterações climáticas tomaram proporções drásticas, e em consequência destes efeitos, algumas cidades dos Estados Unidos da América ficaram submersas em água. As pessoas foram-se adaptando a este novo meio, e assim acabaram por criar novas rotinas, como por exemplo, tornaram-se noturnas para suas atividades sociais e durante o dia descansam e dormem para recuperar energia.

Esta longa-metragem é dirigida por Lisa Joy, uma realizadora ainda com pouca experiência, sendo mais conhecida pela sua conceituada super-produção da série WestWorld, onde Lisa atua como realizadora, produtora e argumentista.

Este filme apresenta um elenco relativamente curto, mas com bastante destaque, desde logo com o protagonista Hugh Jackman (o mais conhecido ator australiano em Hollywood, tendo recebido já um Globo de Ouro, mas apenas nomeado uma vez para os Óscares, o ator é conhecido pelo seu papel na interpretação da personagem James “Logan” Howlett, mais conhecido como Wolverine, na extensa série de filmes de X-Men, mas também em filmes como: Swordfish, Van Helsing, The Fountain, The Prestige, Australia, Les Misérables, The Greatest Showman, entre outros). Este elenco conta também com Thandiwe Newton (atriz Inglesa, conceituada por papéis como Maeve Millay na série WestWorld, ou em longas-metragens como: Interview with the Vampire, Mission: Impossible 2, The Chronicles of Riddick, 2012, Solo: A Star Wars Story, entre outros), Rebecca Ferguson (atriz reconhecida pelas suas participações na indústria do cinema como, Hercules, Mission: Impossible – Rogue Nation e Mission: Impossible – Fallout, The Girl on the Train, The Greatest Showman, The Snowman, assim como na sua próxima longa-metragem Dune), Brett Cullen (ator veterano Americano, reconhecido pelas suas interpretações em filmes como: By the Sword, Apollo 13, National Security, Ghost Rider, The Dark Knight Rises, 42 ou em Joker), Cliff Curtis (famoso ator Neozelandês conhecido por: The Piano, Six Days, Seven Nights, Collateral Damage, River Queen, The Fountain, Sunshine, 10,000 BC, Last Knights, Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw), entre outros.

O Mundo…

Reminiscence, inicia com uma pequena introdução ao “novo Mundo”, ou ao seu novo estado, tal como mencionado anteriormente, esta longa-metragem passa-se num possível futuro próximo onde as alterações climáticas causaram a subida repentina das águas, e algumas cidades dos EUA ficaram submersas em água. As populações que lá habitavam tiveram de se adaptar ao novo meio, e uma das soluções, foi tornarem-se nocturnos de forma a sobreviverem o melhor que conseguiam.

Após esta pequena introdução, vimos-nos na pele de Nick (Hugh Jackman), um ex-militar que viu na “ilusão” uma forma de ganhar dinheiro. Esta criação de “ilusão”, baseia-se na recriação do passado dos seus “pacientes” a partir de memórias, isto permite a algumas pessoas reviverem os seus momentos mais felizes antes do caos causado pelas alterações do Mundo.

Mas desde cedo, somos introduzidos aos perigos da utilização em demasia destas “ilusões”, pois os utilizadores, podem-se tornar viciados pelo passado e assim ficar presos a esta ilusão. Um dos pontos essenciais desta tecnologia utilizada por Nick e a sua assistente Watts (Thandiwe Newton) é que para a criação de toda a “ilusão” é necessário usar uma memória existente, e Nick guiar a pessoa por esse “mundo”, pois caso tal memória não exista a pessoa pode entrar em choque e acabar por colapsar.

Mas para além de prazer, esta tecnologia também pode ser utilizada para fins criminais, pois Nick é várias vezes contratado pela polícia para fazer interrogatórios aos criminosos (visto ser uma tecnologia militar utilizada várias vezes para obter informações preciosas dos inimigos na guerra), podendo estes estar vivos, inconscientes ou mesmo às portas da morte.

Tudo que é necessário para que tal tenha sucesso, é um bom guia e bom conjunto de memórias do criminoso para se obter as informações e possíveis “vivências” do passado deste. Visto serem tempos difíceis, pois existe um conflito entre população mais pobre e os mais ricos, sendo estes últimos são acusados de corrupção para se manterem “fora de água”.

Toda a premissa acaba por se iniciar com um caso estranho, após um dia de trabalho, Nick e Watts são abordados por uma mulher, que apenas quer encontrar as suas chaves, esta mulher de seu nome Mae (Rebecca Ferguson) causa desde logo um impacto emocional em Nick, que se sente atraído por ela.

Após esta aparição, Nick, sente a necessidade de procurar Mae, e assim tentar conhecê-la melhor, mas o seu mundo é um pouco diferente, pois ela trabalha na área artística, onde por vezes estes têm de esconder de tudo os que rodeia.

Após alguns encontros, Nick e Mae, acabam por se envolver amorosamente, mas algo parece estranho, pois a certo momento, tudo o que estamos a ver são nada mais que memórias de Nick, que está a utilizar a tecnologia em seu favor, tudo porque Mae desapareceu subitamente, e este acha que algo lhe escapou, insinuando que esta possa ter sido raptada ou algo do género.

A partir deste momento, algo que parece ser utilizado para incutir prazer nas pessoas, que procuram nas suas memórias os seus momentos mais felizes para os reviverem, torna-se algo substancialmente mais perigoso, acabando por ser uma “caça às bruxas” por Nick, que passa os seus dias a reviver todas as suas memórias, viciando-se. Watts avisa-o constantemente (e que o próprio nos indica no início), dando a entender que a vida que estamos a ver não é de Nick, mas de uma outra pessoa.

As Memórias…

Reminiscence, apresenta uma cinematografia com planos muito bem caracterizados e de “encher o olho”, talvez um dos pontos mais fortes desta longa-metragem.

A realizadora Lisa Joy, acaba por arriscar num conceito já abordado em filmes passados, mas desta vez ela tenta combinar certos conceitos, sendo a longa-metragem Inception (a manipulação de sonhos, e que o uso excessivo faz com que se perca a noção da realidade) uma clara inspiração da criação de Reminiscence. O que nos mostra desde dos primeiros minutos, uma premissa bem pensada e bastante interessante. A banda sonora que nos acompanha durante toda a sessão é bastante boa, acabado por nos fazer imergir mais no mundo noir.

Contudo, é devido às prestações de Hugh Jackman e Thandiwe Newton que este filme é levado um porto positivo, já que são estes dois atores que se sobressaem quando tudo está a cair por “água a abaixo”. Pois a narrativa, acaba por não cumprir com o que era desejado para a premissa, acabando por ficar demasiada presa ao romance entre Nick e Mae, quando existe muito mais do que eles os dois num Mundo de corrupção e de sobrevivência da população.

Toda esta narrativa, acaba por ser mal executada, pois com a excepção de Nick, é muito difícil nos ligarmos outras personagens, além disso, apenas perto do final é que percebemos que existe mesmo um Mundo de ricos e pobres, onde os ricos vivem em lugares secos e fora do alcance da água, enquanto os pobres vivem nas zonas alagadas. Além disso, uma das maiores referências durante Reminiscence, é uma guerra passada, de que quase nada é aproveitado, com a exceção de tecnologia da máquina das memórias, e de alguns momentos de interação entre personagens.

Em suma, Reminiscence acaba por passar pelos pingos da chuva, principalmente devido às interpretações de Hugh Jackman e Thandiwe Newton, com a ajuda de uma banda sonora bem adequada. Contudo, destaca-se pela negativa a má execução da narrativa, após ter sido apresentada uma premissa tão interessante e bem construída. Pois, tal como mencionado anteriormente, existe mais do que um romance neste Mundo, que merecia ser mais bem explorado, de forma ao espectador se ligar a outras personagens e a compreender melhor o que o rodeia.

Assim sendo, Reminiscence acaba por ser um filme satisfatório (mas “tremido”).

Partilhamos, convosco o trailer deste thriller de ficção científica ao estilo noir…

6.0
Score

Pros

  • Interpretação de Hugh Jackman e Thandiwe Newton
  • Premissa interessante
  • Banda sonora
  • Cinematografia

Cons

  • Narrativa desequilibrada e má executada
  • Demasiado foco no romance entre Nick e Mae
  • Todo um "Mundo" por explorar
  • Caracterização fraca de algumas personagens no final

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