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Análises, Cinema

Over the Moon – Análise

A Netflix, volta a nos presentear com o seu terceiro filme animado original, depois de Klaus (um dos grandes nomes dos filmes de animação do passado ano) e de The Willoughbys (um filme do corrente ano), chega agora Over the Moon.
Esta longa-metragem foi dirigida em parceria, por Glen Keane (tendo participado na animação de filmes bem conhecidos, tais como Aladdin, Pocahontas, Treasure Planet, e só mais recentemente se iniciou como diretor, nas curtas animdas: Duet e Dear Basketball) e John Kahrs (reconhecido pelo seu trabalho de animação nos filmes Toy Story 2, The Incredibles, Ratatouille, Frozen, entre outros, e mais recentemente na curta June como diretor), produzido pela Pearl Studio (produtores de filmes como: How to train your Dragon 2, Home e a ultima com Abominable) e Netflix Animation, com animação realizada pela Sony Pictures Imageworks, chegou às salas da nossa casa pelo canal de streaming Netflix.

O Mito…

O filme inicia com a nossa pequena protagonista, Fei Fei (interpretada pela voz de Cathy Ang) muito empolgada a ouvir a famosa lenda chinesa da deusa da lua, contada pela sua mãe (Ruthie Ann Miles), a história de Chang’e e Houyi, em que Chang’e tomou a poção da imortalidade e esvoaçou até à lua, ansiando pelo reencontro com o seu amado. Como todas as crianças, Fei Fei entusiasma-se tanto com a lenda, que não se cansa de a ouvir, e assim ao som da voz da sua mãe (Ma Ma como a pequena menina a chama) entramos no mundo de Over the Moon.

Acompanhando Fei Fei, vemos que sua família que possui um estabelecimento dedicado à produção de bolinhos da lua (que são a especialidade da casa). A nossa pequena protagonista quer aprender também a fazer estes docinhos, muito requisitados na altura da festa de celebração da deusa da lua. Então Ma Ma juntamente com Ba Ba (pai de Fei Fei e com voz de John Cho) ensinam a pequenina a fazer esta iguaria com o decorrer do tempo, ao som de uma canção. No entanto, a canção ganha um tonalidade mais negra, pois algo acontece com Ma Ma, o que leva Fei Fei a ficar muito abalada e triste.
Passado 4 anos, e na companhia de Bungee (a sua coelhinha, o último presente da sua mãe) vão distribuir os famoso bolinhos da lua pela cidade, sendo que Ba Ba lhe pede para ela não se atrasar, visto ser uma data muito especial (dia da festa anual da deusa da lua). Contudo, quando chega a casa, o seu pai está a preparar uma nova receita para os bolinhos, que incluem tâmaras em honra de uma convidada (algo logo rejeitado por Fei Fei, visto não ser a receita da mãe), a Sra. Zhong (com voz de Sandra Oh), a sua namorada, mas esta não chega só, pois tem um filho, Chin (interpretado por Robert G. Chiu), uma criança de 8 anos com muita energia e com uma imaginação enorme, tornando-se por vezes irritante.
Com a aproximação do final do dia, chegam os tios e avós da protagonista, o que a levam a ficar entusiasmada e assim fugir ao tema da namorada do pai. Com decorrer do jantar, Fei Fei, não gosta da forma como as pessoas presentes no jantar desacreditam na história da lenda da lua, deixando-a triste e irritada, pois é uma história de amor eterno que o pai se devia lembrar (tal como a deusa Chang’e espera a chegado do seu amado, também a sua mãe estaria eternamente à espera do seu Ba Ba).
Sra. Zhong tenta agradar de todas as formas Fei Fei, incluindo lhe dar a uma fatia do seu bolinho da lua (e sem tâmaras), no entanto esta não aprecia o facto da namorada do seu pai poder “roubar” o lugar da sua Ma Ma. Por isso, a nossa pequena protagonista decide “fugir”, para tentar estar um pouco sozinha e pensar em tudo o que lhe está acontecer. Ao olhar para a lua e ao som de uma canção, nasce-lhe uma ideia, provar a todos que a deusa Chang’e existe, e que a lenda é real.

Com este pensamento, Fei Fei começa a planear como irá conseguir chegar à lua, e assim, com a sua veia inventora, começa a criar e desenvolver vários protótipos (maioria sem sucesso). A ida à lua demonstra-se uma tarefa árdua e mais complicada do que a nossa protagonista esperava, até que lhe surge uma nova ideia (algo que ela ainda não tinha tentado, mas que conhece bem), que se revela eficaz, e assim esta começa a preparar a sua nave para chegar à lua.
No momento que tem tudo preparado, lança-se na viagem, no entanto apercebe-se que não está sozinha, pois Chin, à socapa, entrou na nave e fez a viagem com a nossa protagonista. Ao chegar à lua, ambos descobrem um lugar whimsical (extravagância e fantasia), que está de criaturas fantásticas (como por exemplo, os bolinhos de lua, que são os soldados da realeza).
De uma forma surreal e vibrante, deparam-se com um concerto realizado pela própria deusa Chang’e (Phillipa Soo), que tem uma voz majestosa, ficando todos presos à sua interpretação musical. Assim, a deusa apresenta-nos a sua história, e a forma como aquele mundo da lua foi criado, depois de se separar do seu amado e ter ficado a sozinha. Esta, ao chorar em desespero, por estar solitária (tal como a lenda), criou todo o mundo “lunar” com as suas lágrimas (pós das estrelas).
Chang’e lança a um desafio a todos presentes, de lhe darem o presente ideal, e quem conseguir esta proeza terá direito de pedir um desejo. Perante isto, Fei Fei tenta realizar esta com afinco esta tarefa preciosa (nem que tenha de o procurar), para que ambas possam ser felizes (Chang’e conseguir reencontrar o seu amado e Fei Fei provar que a deusa existe e que a história é real).
E assim, a nossa protagonista parte para a maior aventura da sua vida, à procura pelo presente ideal, de modo a tornar toda a gente feliz, além de provar ao seu pai que a Ma Ma estará sempre à sua espera, e que ele não precisa de uma nova mulher na sua vida.

A Lua…

Over the Moon é um filme fantástico, que mostra mais uma vez o potencial da Pearl Studio e da Netflix Animation no campo da animação. Destaca-se a beleza como foi apresentada a mitologia chinesa, de uma forma, que todos pudéssemos ficar empolgados por mais. Ressalva-se também, alguns “easter egg’s” que existem no decorrer do filme, tal como a referência ao filme francês Le voyage dans la Lune de 1902 (um marco icónico no mundo do cinema). Contudo, a maior parte das personagens femininas, apresentam uma animação muito similar, parecendo quase todas da mesma família, tal não acontece nas masculinas.
A nível de interpretação, o elenco de atores, de uma forma geral, esteve fenomenal, principalmente Cathy Ang, que com o seu poder vocal, dá uma vida muito expressiva a Fei Fei, atingindo as notas certas nos momentos fulcrais desta aventura. Destaca-se também, a capacidade vocal de Phillipa Soo, que torna a deusa da lua vibrante e ultraluminosa.
Esta viagem pela lua, é uma aventura com visuais maravilhosos (com uma aproximação ao filme Abominable), com uma banda sonora vibrante e emocionante (do primeiro ao último minuto), fazendo um bom acompanhamento de toda a narrativa, em especial, quando somos conduzidos ao clímax. As músicas variam de melodias tradicionais a composições modernas, sendo que em certos momentos existem a fusão destes dois estilos, apresentando de uma forma metafórica a importância de valorizar o passado, mas em simultâneo, de aceitar a nova fase da vida.
Esta longa-metragem apresenta uma premissa interessante, que toca em todos corações, mostrando de uma forma metafórica a importância da família e as consequências de ficar preso ao passado. No entanto, existem alguns pontos nesta viagem à lua, que são um pouco desadequados, tal como a inclusão de personagens perto do final, apenas para personificarem outras que não estão presentes no momento, e para fazerem Fei Fei sentir falta destes. Também, alguns momentos cómicos são um pouco forçados e por vezes podem ser irritantes, mas felizmente as piadas mais simples conseguem sempre cativar (quando usadas com moderação neste filme) e acabam por criar um equilíbrio.
Em suma, esta animação é equilibrada e possui um conjunto coeso de ingredientes, que criam um belo “banquete” visual e emocional para o vislumbre dos espetadores. Assim, o canal de streaming Netflix, consegue nos apresentar um excelente filme, desde a mitologia da lua às canções na terra.

Partilhamos, convosco o trailer desta viagem à lua…

7.0
Score

Pros

  • Interpretação de Cathy Ang
  • Premissa interessante
  • As referências à mitologia chinesa
  • Banda sonora e a combinação musical de diferentes géneros

Cons

  • Animação das personagens femininas
  • Alguns momentos cómicos forçados
  • Adicionar personagem perto do final, apenas para personificar as que não estão presentes no momento

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