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Análises, Cinema

Ma Rainey’s Black Bottom (Netflix) – Análise

Ma Rainey’s Black Bottom, é um filme dirigido por George C. Wolfe (um diretor maioritariamente conhecido pelos seus trabalhos na direção de peças teatrais, contudo já conta com algumas longas-metragens no seu currículo, tais como The Devil Wears Prada, Nights in Rodanthe e The Immortal Life of Henrietta Lacks). Este filme é baseado na história de Gertrude Rainey (mais conhecida como Ma Rainey, a mãe dos Blues), no momento em que esta vai gravar um dos seus álbuns mais conhecidos, denominado “Ma Rainey’s Black Bottom“, sendo uma mistura de fatos reais com alguma ficção.

Esta longa-metragem é estrelada pelo recém-falecido Chadwick Boseman (reconhecido principalmente pelo seu papel de rei T’Challa-Black Panther, nos filmes Captain America: Civil War, Black Panther, Avengers: Infinity War e Avengers: Endgame, mas também pelas suas interpretações em, 42, Get on Up e mais recentemente em Da 5 Bloods), Viola Davis (atriz galardoada, pelo seu desempenho em Fences, The Help, Doubt, e também conhecida pelo seu papel em Suicide Squad como Amanda Waller), Glynn Turman (ator reconhecidos pelas suas interpretações em, Gremlins, Sahara e Super 8), Colman Domingo (reconhecidos por papéis em filmes como, 42, Lincoln, Selma, e mais recentemente em Candyman, que irá estrear este ano), entre outros.

Este drama, é da produção de Denzel Washington, Todd Black e Dany Wolf, e distribuído pelo canal de streaming Netflix. Como todos se devem recordar, Chadwick Boseman deixou-nos no final de Agosto de 2020, já na fase final da produção desta longa-metragem, sendo o último trabalho que Chadwick, o que torna esta longa-metragem uma homenagem ao ator.

As Gravações…

O filme, enquadra-se nos finais da década 20, quando os Blues estavam a explodir por todo o Mundo, em que diversos produtores desejavam gravar álbuns com as vozes mais conhecidas dos Blues, de forma a enriquecerem rapidamente com a sua venda.

Este drama inicia com um show de Ma Rainey (Viola Davis), enquanto nos é mostrado o sonho da terra prometida do Novo Continente. Com o desenrolar dos acontecimentos, acompanhamos a banda de Ma, cujos integrantes eram: Toledo (Glynn Turman), Cutler (Colman Domingo), Slow Drag (Michael Potts). Vemos a banda no estúdio de gravações ao som da música Jazz e Blues (que está muito presente em todo o filme), à espera do elemento mais jovem do grupo, o prodígio e irreverente trompetista, Levee Green (Chadwick Boseman), que acredita que aquele dia vai ser a sua rampa de lançamento para o mundo música, conseguindo alcançar o seu sonho de ser o elemento principal de uma banda.

Levee chegou atrasado, pois foi comprar uns sapatos amarelos, de forma a tentar impressionar os produtores, para que estes aceitem gravar as suas músicas, que ele próprio denomina como o “Blues moderno”, algo que “as pessoas querem ouvir”.

Enquanto Ma não chega, a banda inicia os ensaios, contudo as músicas entregues pelos produtores ao líder da banda Cutler, não correspondem ao que eles estavam à espera, e ao que foi acordado com o que Ma queria.

Quando Levee chega, anuncia que tem várias músicas para entregar aos produtores e que ele próprio vai gravar com uma banda, e por isso está todo entusiasmado e mais apresentável.

Contudo, aquilo que seria um ensaio convencional, acaba por se tornar numa troca de ideias, de histórias e de discórdias entre os membros da banda. Os conflitos começam, após os produtores (interpretados por Jeremy Shamos e Jonny Coyne) por pedirem que algumas músicas sejam tocadas conforme o arranjo criado por Levee. Perante isto, Levee tenta liderar o grupo nos ensaios, mas eles tocam na mesma os arranjos antigos, ignorando as suas instruções e demonstrando que ele é apenas um membro da banda e que as músicas dever ser tocadas da forma como foram idealizadas, e que Ma não vai gostar que estas sejam alteradas.

Quando Ma chega ao estúdio, toda a situação muda, pois a sua presença é muito imponente, em relação a todos os outros, demonstrando logo desde o início o seu descontentamento com as alterações propostas. Além disso, ela deseja introduzir o seu sobrinho, Sylvester (Dusan Brown), a toda a força nas suas músicas, contrariando as ideias dos produtores.

Com esta chegada, os conflitos já existentes, acabam por escalar durante as gravações, pois Levee assume que aquela será a sua última atuação com a banda e Ma, pois vai seguir a sua carreira solo e acha que irá ter muito sucesso.

Com o desenrolar de todo este trama, tudo o que parecia ser uma tarde pacífica de gravações, torna-se numa batalha de egos, principalmente entre Ma e Levee e os produtores, e Levee e a banda. Ma, numa das pausas, conversa com Cutler, e reconhece que os produtores apenas querem a voz dela, e assim que estes consigam reproduzir o que ela já faz, ela irá deixar de lhes ser útil. Sendo que ela apenas quer fazer a música Blues com alma e com a sua forma de ser, sem a dependência do dinheiro, e por isso quer dificultar ao máximo a vida dos produtores com as suas exigências.

Entre as pausas, todos aproveitam para contar algumas das suas experiências passadas e assim, justificarem a sua paixão pelo Blues, mas também as diferenças sociais e problemas entre raças, principalmente entre brancos e negros. E é neste momento, que Levee, após de ser acusado pelos colegas de ser um “pau mandado” dos brancos, revela um momento marcante do seu passado, demonstrando que ele faz as coisas mas sem nunca perder a sua essência, e quando alcançar o que deseja, revela os seus verdadeiros intuitos.

Toda a longa-metragem, se passa numa tarde de gravações, em que todos têm os seus ideais e ambições, contudo no final do dia, com todos os conflitos vividos entre todas as personagens, serão estes capazes de resolver as discórdias e deixar os seus egos de parte, e assim sair todos satisfeitos com o trabalho realizado?

Os Conflitos…

Ma Rainey’s Black Bottom, é mais uma aposta da Netflix, que se destaca muito pelo seu elenco de atores, contudo, é apenas isto que o filme tem. Pois, esta longa-metragem somente se faz valer pela interpretação dos atores (por vezes difícil, pois a narrativa não ajuda), por uma fantástica sonografia, acompanhada com um excelente banda sonora, que nos permite emergir no ambiente dos anos 20-30 e no mundo dos Blues.

Quanto à narrativa, apesar de ser uma história muito simples, que se passa em apenas uma tarde, é mais complexa do que isso, porque toda ela é suportada e deriva muitos das discórdias entre personagens, principalmente do conflito de egos. Desde a divergência existente entre Ma e Levee, Ma e os produtores e Levee com os membros da banda, contudo, por vezes perdemos noção de todos os confrontos, ficando sem compreender onde a narrativa nos quer levar.

Mas, em contrapartida, Ma Rainey’s Black Bottom, vislumbra-nos com uma interpretação soberba de Viola David, apesar de ser das personagens com menos “tempo de antena”, tem um destaque e uma presença fenomenal, podendo mesmo dizer que a interpretação de Viola Davis é o filme. Quanto ao restante elenco, apenas se destaca Chadwick Boseman, com uma excelente interpretação, no entanto, apesar de ser a personagem com maior destaque e “tempo de antena”, a narrativa envolvente não ajuda ao desempenho do ator, fazendo com que este não brilhe como o esperado, e sendo, aparentemente, apagado pela presença de Viola Davis.

Em relação aos restantes aspetos técnicos, Ma Rainey’s Black Bottom, apenas se destaca por uma incrível sonografia e banda sonora, que acompanha todo o filme, levando-nos a crer que por vezes as conservas entre personagens, poderiam facilmente ser transformadas numa música, isto é, mantendo todos os diálogos, mas dando-lhe um ritmo musical, transformando estes momentos dramáticos imediatamente num musical.

Em suma, este título é de uma forma geral agradável, que nos remete facilmente para a década representada, com toda a musicalidade de Blues. Os momentos de tensão são razoáveis, em contrapartida, as interpretações de duas personagens são fenomenais. Contudo, tal como mencionado anteriormente, a narrativa é um problema grave desta longa-metragem. No entanto, esta longa-metragem é uma boa aposta do canal de streaming Netflix, já que, tal como The Trial of the Chicago 7, esta também já arrecadou diversas nomeações e prémios da indústria, assim sendo uma das favoritas para os Óscares, especialmente nas categorias de interpretação e caracterização.

Partilhamos, convosco o trailer deste drama…

7.0
Score

Pros

  • Interpretação da Viola Davis
  • Interpretação do Chadwick Boseman
  • Sonografia
  • Banda Sonora

Cons

  • Narrativa confusa (por vezes, não se percebe o intuito da história)
  • Construção de algumas personagens
  • Edição do filme

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