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Invincible (Amazon Prime Video) – Análise

Nota: apesar de animada, a série não é aconselhada ao público infantil ou mais sensível

Invincible” é uma série animada lançada na Amazon Prime Video, baseada na banda desenhada homónima de Robert Kirkman. A série conta com o argumento do mesmo e a batuta de Jeff Allen. A história segue um adolescente chamado Mark Grayson (Steven Yeun), meio extraterrestre, que se torna super-herói, quando, finalmente, ganha poderes (poderes estes que chegam mais tarde que o normal para alguém da sua raça). O rapaz incorpora o nome de Invicinble e junta-se a outros “colegas de profissão”, da sua idade, para combater ameaças ao planeta. Ah, esqueci-me de referir algo importante: o pai dele é “só” o super-herói mais poderoso do mundo, o Omni-Man (J.K. Simmons).
Extraterrestre (Viltrumita), mega poderoso e com um senso de justiça invejado pela população americana, Omni-Man é a pessoa mais temida pelos vilões e mais amada pelos heróis.

Então, mas a história é só isto?

Não, é muito mais que isto, mas não posso contar mais, porque logo no primeiro episódio acontece algo bastante importante para o resto da trama. Esta é uma das qualidades da série, os ganchos entre episódios são muito bem colocados, bem realizados e nada forçados. Vemos algumas séries que exageram no “foreshadowing”, mas “Invincible” deixa-te vidrado, sem forçar situações impactantes fora do lugar. O facto de saberes desde cedo quem é o real vilão da série (antes das personagens principais até) e a diferença entre a real faceta deste e a sua personalidade “falsa”, torna todo o ambiente mais tenso e hostil para o espectador, quase como se estivesse à espera de que algo vá acontecer muito em breve, mesmo não sabendo o que realmente irá acontecer. Como todo o suspense deve ser, na verdade.
De resto, uma construção fiel e bem feita. Robert Kirkman soube bem o sítio certo por onde terminar estes 8 episódios desta primeira temporada, deixando um clima melancólico, mas esperançoso ao mesmo tempo. Deixou-me ansioso para ver mais, sendo sincero.

Mas nada disto é possível sem boas personagens!

Podem nem ser as personagens mais bem construídas do universo, mas o seu carisma encaixa perfeitamente no tema da série. Um desses exemplos é Cecil Stedman, chefe dos super-heróis que aparecem na série, à exceção do Omni-Man. Não sabes muito sobre ele, nem tem propriamente a estética mais bonita do mundo, mas tem um carisma característico e necessário para o rumo da série, agindo como um bom chefe, parecido até com Nick Fury da Marvel.
Mas é no tópico das personagens que reside o meu primeiro ponto negativo. De há uns tempos para cá, começaram a surgir algumas obras como “Invincible”, no sentido em que também servem de questão da ligação entre um ser extremamente poderoso, o bem e o mal. “The Boys” (disponível no Amazon Prime Video), é um exemplo disso, onde coloca um ser bastante poderoso e praticamente imortal na linha ténue entre o bem e o mal, servindo como uma crítica à perspetiva clássica do Herói literário, cem por cento puro e bonzinho. Mas parece que essa crítica tem de ser feita com personagens que já conhecemos. Parece que falta criatividade na criação dos heróis.
Em “Invincible”, temos um extraterrestre super poderoso, um homem vestido de vermelho que corre muito rápido, uma mulher com uma força sobrenatural, um marciano refugiado na Terra e um lutador sem poderes que se veste de preto e usa armas e artifícios criados por ele para derrotar os adversários. Onde é que já viram personagens assim? Quem, no conforto do seu lar, respondeu DC Comics, acertou. Quem respondeu “Praticamente todas as séries do género de “Invicible” também acertou. Para criticares um estereótipo de um conjunto de obras, neste caso obras de super-heróis, não precisas de espelhar todo o estereótipo. Há espaço para a criatividade! Por mais que seja interessante ver um Super-Homem maléfico, seria bom aumentar o nosso leque de heróis. “Watchmen”(DC Comics/HBO, 2019) fez bem esse papel, trazendo personagens diferentes, mesmo fazendo um ensaio crítico do que seria uma sociedade com super-heróis.

Nem tudo pode ser mau, como é a produção?

É muito raro vermos animações deste nível, com episódios que duram mais do que 25 minutos. No caso de “Invincible”, os episódios passam bem para lá da meia hora. É normal que haja algumas quedas de qualidade na animação e acontecem algumas, especialmente na sua fluidez e naturalidade de movimentos. Mas são coisas tão pequenas que o espectador menos atento não irá notar, certamente. De resto, a produção soube onde colocar um maior esforço e investimento. Certamente, para quem já viu a série, sabem de que cenas estou a falar. Há sequências tão espetaculares que quase dão vontade de tirar print, imprimir e pendurar na parede do meu quarto, só para me lembrar delas. A coreografia das batalhas é absolutamente fenomenal. Se não fosse o sangue a jorrar a potes, quase que podíamos dizer que era mais uma dança que uma luta, de tão majestosa que é. Para mim, o maior ponto da produção da série.

Quanto ao design, não é o do meu gosto, especialmente a paleta de cores usada na série, nomeadamente nas personagens e seus fatos. Mas vejo mais isso como problema de gosto pessoal do que propriamente um defeito. Apesar disso, é bom ressaltar toda a construção de cenários, que é bastante boa, especialmente na luta dos últimos episódios. Um autêntico espetáculo. E se comento mal, também tenho de dar o braço a torcer. As cores do cenário da última luta (especialmente no clímax da mesma) são muito bem colocados.
A série sabe muito bem usar o silêncio como fator de tensão, no que toca à banda sonora. Uma banda sonora épica é vista em muitos sítios, agora ter toda uma luta, de vários minutos, ouvindo apenas os gemidos de dor, os diálogos e os ossos partidos das personagens, é algo delicioso, especialmente em lutas como a que temos no primeiro episódio.

Apontamentos finais

“Invincible” é uma série muito bem conseguida. O facto de ter sido animada e não em live-action garante uma ambientação única e pitoresca à obra. Vale a pena assinar o Prime Video se continuarmos a ter este nível de qualidade. Recomendo vivamente a série a todos os interessados em super-heróis, nem que seja apenas pelos filmes da MCU. Vejam! Serão capazes de assistir uma história refrescante para o género, cativante e entusiasmante.

8.0
Score

Pros

  • Sabe agarrar o espectador
  • Personagens carismáticas
  • Animação consistente
  • Coreografias de luta mágicas

Cons

  • Falta de originalidade nos poderes
  • Design de personagens que não me cativou

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