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Análises, Jogos

Game Builder Garage (Nintendo Switch) – Análise

Desde pequeno que ambiciono pertencer ao mundo da programação na área dos videojogos, e como tal tenho muito prazer em estudar o design de jogos. Ao longo dos meus anos, enquanto jogador, os títulos da Nintendo sempre me influenciaram na minha visão deste sector. A concepção de jogos requer muita dedicação, principalmente quando queremos algo de qualidade, contudo, quando feito com gosto, todo este empenho é sempre recompensado. A Nintendo é uma empresa que produz jogos fabulosos, desta vez oferece-nos um software de desenvolvimento de jogos de vídeo, estamos a falar do Game Builder Garage, um software com um preço de 40€.

Que tipos de jogos se podem fazer?

A Nintendo possui outros títulos que incentivam a esta temática, isto é, softwares que permitem desenvolver jogos. O Super Mario Maker 2, é um exemplo que possibilita criar novos níveis no Mario, que podem ser extremamente criativos, contudo, é limitado às icónicas plataformas em perfil. Outro exemplo, é o WarioWare DIY, que propicia a construção de microjogos, no entanto, estes são simples, curtos e divertidos (pois duram pouco tempo). O Labo VR Kit, é uma mais valia com uma forma de edição de jogos capaz, no entanto, possui algumas limitações.

O Game Builder Garage, destaca-se principalmente com a forma como este elimina todas as limitações referidas anteriormente. Possui um motor 3D, que nos dá a liberdade de criar jogos de diferentes géneros, desde que, apliquemos bem a lógica associada para fazer funcionar os diferentes estilos. Este título, guia-nos desde de plataformas, até puzzles (passando por “racers” e “shooters”), além de outros géneros. Podemos aproveitar todas as entradas da Switch, tais como, controlos do ecrã táctil, movimentos, ou até mesmo a câmara IR. Com toda esta amplitude de possibilidades, todo o polimento visual é típico da Nintendo, ou seja, sejam quais forem os jogos que pensamos/sonhamos, estes não serão tão “ásperos”, em comparação com jogos que vimos em Core (igualmente poderoso).

É de ter atenção, que não nos é possível fazermos jogos com a marca Nintendo. O Game Builder Garage, tem como base alguns dos conceitos da Labo VR, mas toda a construção é original. Destaca-se que as personagens icônicas, tais como o Mario, o Link, ou o Samus, não estão acessíveis para utilização, mas podem ser “recriadas” pixel a pixel. O intuito deste título, é fazermos jogos tão bons que não será necessário ter “caras famosas” para ser um bom produto.

Ao contrário da linguagem profissional ou a mais comum, o Game Builder Garage apresenta e usa uma linguagem totalmente visual. Aqui, as partes do código são “criaturinhas fofas” chamadas Nodon. É possível adicionar os Nodon à nossa criação, desenvolver objetos e programar de forma intuitiva e com facilidade.

Como por exemplo, podemos criar um Nodon que detecta quando as maçãs são tocadas, de forma a receber power-ups. O Nodon, também tem a possibilidade de gerar música, resolver problemas matemáticos e/ou até mesmo, exibir texturas que desenhamos. Para escrever strings de programação mais complexas, podemos conectar os diferentes Nodons para as criar.

Todo “o sistema Nodon”, alcança um equilíbrio habilmente e com uma facilidade estupenda. É possível conectar um rato USB à Switch, de forma a realizar uma edição mais rápida e fluida, no entanto, com todos estes blocos no ambiente de trabalho, pode tornar-se um tanto confuso, mesmo que seja usado um Nodon projetado especificamente para organizar o fluxo de trabalho.

Exemplos tais como o GameMaker, o Construct, o Core, o Godot, o Stencyl, entres outros, são softwares com opções de edição visual, que geralmente incluem as opções de codificação comuns (baseadas em texto) para ajudar na eficiência. No caso, do Game Builder Garage, este requer que se alterne entre vários pontos de vista, de forma a organizar melhor os objetos num espaço 3D.

Este software, apresenta-nos bons (ou talvez dos melhores) tutorias de desenvolvimento de jogos que me lembro de ter utilizado nos últimos tempos. Contrariamente ao que por vezes ouvimos por parte dos jogadores que criticam a Nintendo por apresentar tutoriais demasiados detalhados, neste caso, estes ajudam bastante quem não está à vontade com este tipo de mecânicas ou quaisquer conhecimentos de programação.
É formidável, a forma como o Game Builder Garage disseca todo o processo de programação num “simples jogo”, e fez-me pensar que este tipo de aplicação é uma ótima forma de aprender programação.

O Game Builder Garage apresenta sete tutoriais interativos, e cada um com uma duração média de uma hora, que permitem aos utilizadores aprender passo a passo, através de jogos demonstrativos (no entanto, cada vez mais complexos, conforme formos avançando).
Inicialmente são ensinadas noções básicas, tais como adicionar objetos ao mundo do jogo, ou verificar que botões executam as ações pretendidas. As lições posteriores introduzem conceitos mais complexos, tais como, posicionar uma câmara num espaço 3D “livre” ou desencadear sequências em determinadas condições.

Ao nos sentirmos mais confiantes com as mecânicas e funcionalidades do Game Builder Garage, podemos testar as nossas capacidades e tornar todo o “jogo” (ou desenvolvimento de níveis) mais desafiante. Contudo, temos de passar por “alguns testes de controlo”, de forma a assegurar que absorvemos bem todos os conhecimentos necessários.
Existem diversos testes, tais como os de educação de codificação e de programação, contudo, todos estes desafios são lógicos e bastante divertidos.

Biblioteca da Game Builder Garage

Com este modo de programação “livre” e inovadora, podemos desenhar praticamente todos jogos que quisermos. E foi aqui, que me senti mais inspirado (quase como um “artista de rua”), pois percebi que podia criar personagens diversificadas e torná-las jogáveis com variadas características. Contudo, ainda sinto que preciso de mais tempo para “mergulhar” mais afincadamente nestas ferramentas (que me fascinam e intrigam).

No entanto, existem algumas limitações, uma das quais, é que não podemos jogar estas criações, a menos que sejas amigo do próprio criador do nível ou do jogo criado. É de notar pela negativa (na minha opinião), que a Nintendo está excessivamente hesitante em abraçar as funcionalidades online, o que poderia tornar este título ainda mais versátil e interativo, é por este motivo, que penso que é uma oportunidade perdida, ficando (neste aspeto) um passo atrás do Super Mario Maker. Os jogos partilhados entre amigos já são moderados, pelo que não compreendo esta limitação, e por isso, ainda não testei totalmente as funcionalidades online do jogo.

E a conclusão é….?

O Game Builder Garage é uma aplicação incrível, mesmo com os seus problemas e/ou limitações, é um bom conceito para os jogadores darem os seus primeiros passos no mundo de desenvolvimento de videojogos. Salienta-se que existem diversos tutoriais (bastante eficientes) que ajudam a perceber perfeitamente as principais funcionalidades do jogo.

Pequeno aparte!

Deixo aqui um agradecimento enorme ao Rodrigo Ribeiro, um membro da comunidade, de seu nome CaptainPortugal, que nos possibilitou esta análise. A ti rapaz um muito OBRIGADO!

 

 

8.0
Score

Pros

  • Motor de desenvolvimento de jogos 3D poderoso e polido
  • Linguagem de codificação visual de fácil compreensão
  • Tutoriais minuciosos, amigáveis e desafios educacionais
  • Documentação do jogo muito bem organizada e de fácil acesso

Cons

  • Falta um centro comunitário, uma maneira mais fácil de interagir com a comunidade
  • O espaço de trabalho pode ficar desorganizado rapidamente
  • Pouco suporte para o teclado

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