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Análises, Cinema

Evangelion 3.0+1.01- Um impacto merecido e esperançoso

Evangelion 3.0+1.01- Thrice Upon the Time” (ou “Evangelion 3.0+1.0, na versão nipónica) é o esperado final apoteótico da série de filmes que marca o reboot de uma das séries mais acarinhadas do público otaku. Um filme carregado da complexidade psicológica já habitual na série, mas desta vez carregada de esperança, luz e amor. Finalmente Hideaki Anno mostrou-nos o que é capaz de fazer com um bom orçamento e muito tempo (quase 10 anos). E, como fã, não poderia estar mais contente com o resultado. Um filme, complexo, que sabe beber o peso anímico da série original e o espetáculo de ação megalómano característica dos novos filmes. Irei agora desenvolver os pontos que considero mais importante do longa, começando pelo mais importante, o protagonista.

Nota: Infelizmente, para analisar esta obra, é extremamente necessário entrar no campo do spoiler. Por muito confiante que esteja com a minha escrita, não recomendo a ninguém sacrificar a sua experiência em troca de ler o artigo. Navegue por sua conta e risco.

Episódio 1.11- Shinji Ikari

Na comunidade de anime, Shinji é humoristicamente marcado por ser uma personagem depressiva e inútil, o que, sejamos francos, não é mentira. No entanto, na série original, isso muda no fim dos episódios e do filme “The End of Evangelion“, onde acontece uma evolução grande na personagem, no que toca à aceitação das suas dores e do outro como companheiro de vida e como ser que também sofre e tem problemas. No entanto, sou capaz de admitir que, para o público mais casual, possa ser confuso e rápido demais, algo que muda nesta versão. Shinji tem essa mudança fora de qualquer apocalipse, dando tempo ao tempo. A calma da primeira metade deste longa permite que as personagens mostrem o que sentes uns pelos outros e o que sentem em relação a si mesmos. Achei delicioso, especialmente o desenvolvimento das relações Shinji-Asuka e Shinji-Ayanami(Rei Clonada). Shinji assume os seus erros (e que erros, meus amigos, ele foi responsável por toda a desgraça que paira por aquele mundo), perdoa-se, perdoa a falta de entrega dos outros em relação a ele mesmo e, o mais importante, descobre que o amam. É curioso ver como a história de Shinji evolui positivamente, totalmente contrária a…

Episódio 2.22- Gendo Ikari e restantes personagens

Gendo foi a minha principal surpresa. Adorei a evolução que ele teve nesta versão da narrativa. Muito mais complexa e profunda. Uma das críticas que mais ouço sobre a versão anterior da obra é que não se entendem os objetivos, convicções e ambições do pai de Shinji. Desta vez foi bem diferente. Gendo tornou-se uma personagem digna de compaixão (embora o ódio inicial continue o mesmo). É curioso como a viagem do Shinji acaba em forma de realização pessoal e a de Gendo foi em direção ao abismo de tormento, mágoa e remorso. E também como, no fim, Shinji tinha razão. O seu pai é o seu inimigo natural e foi o oponente da sua última batalha.
Quanto a Asuka e Rei (as duas), tiveram direito a um final mais amável que na versão original, tendo uma despedida um pouco mais amorosa e feliz que na série.
Quanto a Ritsuko e Misato, Anno soube corrigir os erros que, na minha opinião, cometeu no filme anterior, fazendo com que ganhassem a emoção e a “vida” que não tinham em “Evangelion 3.0“. Misato, à semelhança das personagens que referi anteriormente, teve uma morte mais glamourizada e heróica, muito antónima à sua controversa morte em “The End of Evangelion“.´
Mari teve finalmente o destaque que merecia, uma vez que era uma personagem nova, mas com muito poucos minutos de tela nos filmes anteriores. O seu papel é crucial para o desenrolar da série e finalmente deu para entender o porquê de ter sido adicionada à lista de crianças pilotos.
Os colegas de Shnji complementaram na perfeição este filme, algo que se perdeu na série original, mas há coisas que não se perderam…

Episódio 3.33- Realização

Anno é genial. Disso todos sabemos. Sempre tive curiosidade em saber como ele se comportaria com dinheiro e tempo suficientes para fazer as coisas à sua maneira. E, sendo sincero, mesmo preferindo o final original neste aspeto, este filme não fica nada atrás. Cheia de quebras da quarta parede, reutilizações de footage antigas, de cortes rápidos e precisos, como o realizador gosta, de utilização de live-action (muito bizarra por sinal) e, essencialmente, de uma fotografia avassaladora e maravilhosa.
Nada a apontar na animação. Sem erros no 2D, fluidez no 3D, muito detalhe, muita densidade de partículas. Simplesmente perfeita.
O design de mechas é bastante complexo e bonito e o design de personagens regular, como “Eva” já nos habituou.
A banda sonora é épica, coerente com a história e muito bem orquestrada.
Enfim, sempre achei Hideaki Anno o melhor realizador, e este filme só o prova.

Episódio 4.44- A História

Infelizmente, para mim, os filmes anteriores a este exageraram um pouco no número de impactos e catástrofes horríveis…pelo menos eu pensava assim. Mas “Eva 3.0+1.01” fez-me mudar de paradigma, agora tudo fez sentido. Cada impacto foi diferente, cada um com uma alteração cuidada na paisagem e regulação da natureza, essencial para o avanço da história. Gostei também que alteraram as outrora confusas ondas do AT Field pela radiação L, mais simples de visualizar e compreender, embora perca um pouco da mensagem subliminar relativa à perda do corpo (ou do AT Field de cada um) presente no Projeto de Instrumentalidade Humana.
Todas as mudanças que vimos ao longo do reboot foram cuidadosamente bem preparadas para este final. Eu, fã chato e amargurado com o reboot, mudei totalmente a minha opinião. Este é o final que o Shinji merece, o Gendo merece, as crianças merecem. Um final feliz e não melancólico. Um final com amor. Não é o Evangelion que mais gosto, mas continuo a adorar e entendo a sua importância.

Episódio 5.55- Importância e conclusão

Se “Neon Genesis Evangelion” contribuiu para tornar a industria de anime numa “coisa de adulto”, nos anos 90, este filme tem a importância de agarrar a réstia de público que gosta da série, mas acha o final original enfadonho e demasiado difícil. Este filme não é nada disso e é mais amigo do consumidor. Explica muito melhor as ideias nele introduzidas e desenvolvidas. Fiquei fã
Basicamente esta foi a minha review/carta de amor a esta obra que tanto amo (a minha favorita no audiovisual) e ao seu tardio, mas prazeroso final. Por favor, vejam e revejam esta obra. Entendam cada nuance, cada segundo, cada palavra e essencialmente desfrutem. Não aparece coisas destas muitas vezes na vida. Adeus a todos os Evangelions, adeus pai, obrigado mãe, e a todas as crianças, parabéns!

10.0
Score

Pros

  • Maior profundidade na explicação da trama
  • Personagens bem construídos
  • Relações entre personagens perfeitas
  • Uma direção fantástica

Cons

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