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Digimon Adventure 2020 – Análise

Muitos de nós crescemos a ver anime na televisão, dobrado em português, e ainda na televisão generalista, quando o cabo estava ainda a dar os seus primeiros passos e era um luxo para muitos. Digimon foi um desses animes. Lembro-me de o ver ainda no Batatoon, e de ficar tão feliz quando mais tarde passou no Canal Panda, e não só o pude re-experienciar, como o pude partilhar com a minha irmã, e de cada vez que o passavam de novo, eu revia.

Por isso mesmo, fiquei muito empolgada quando anunciaram os filmes de aniversário dos 15 anos, Digimon Adventure tri, com as personagens da primeira série, mas mais velhos. Era como se a série estivesse a crescer comigo. Mas esses filmes foram uma desilusão imensa, tanto na sua animação, que tentou ser o primeiro filme de Digimon, Our War Game!, mas estava muito longe de o ser, como a sua história foi muito fraca e completamente a desculpa de alguém para se inserir na série.

Como tal, não tinha grandes expectativas ou esperanças para esta nova série de Digimon Adventure. Pensei que iria ser mais como os filmes de aniversario. Mas entretanto, fui vendo algumas coisas pela Internet, e a curiosidade despertou, e resolvi dar uma oportunidade. E o primeiro episódio voltou a dar-me aquele gostinho do porquê de tanto gostar de Digimon.

Nostalgia Digimon

Usando os elementos que melhor categorizam a série original, combinados com uma animação espectacular que claramente se inspira na animação do primeiro filme, esta é a série perfeita para aqueles que se apaixonaram pelo mundo digital na sua primeira instância, mas sentiram que a série era muito pequena e faltava mostrar e explicar muita coisa.

A série original está muito fresca na minha mente, pois, para além de a ter revisto várias vezes em criança, na sua versão portuguesa, vi também duas vezes na sua versão original, sendo que uma delas foi mesmo antes de ver o seu reboot. Para além de alguns nomes, as duas versões são bastante similares, não sendo necessário ver em japonês para acompanhar esta.

Como já referido, esta série pega na história original, e conta uma história mais concisa, com um mundo que se nota bastante mais estruturado e completo. É-nos dada uma razão mais firme de porquê que as crianças escolhidas existem, e qual a sua missão, e as coisas evoluem de uma forma mais rápida, mas não perdendo a sua essência. E tudo isto é exaltado pela animação, que se nota que precisava das tecnologia que temos nos dias de hoje para realmente entregar esse nível de animação a não só todos os episódios, mas a praticamente todos os momentos dos episódios. Esta parece uma série feita para 20 episódios, e não uma série com mais de um ano de episódios todas as semanas.

Esta série, tal como a original, está dividida em arcos, mas, ao contrário da original, todos esses arcos estão ligados e têm uma continuação óbvia, fazendo tudo parte da mesma história, e não tanto pequenas histórias dentro de uma. Sendo que este é um reboot, e apesar de irem buscar alguns elementos da história original, temos bastantes alterações, que, mais uma vez, só são possíveis agora, após 20 anos de franquia, como novos Digimons, e novas Digivoluções.

O problema de Yagami Taichi

Apesar disso, a história foca-se demasiado em Taichi, deixando o desenvolvimento de outras personagens e das suas inter-relações um pouco para trás. Ainda assim, algumas personagens secundárias aparecem desde início com personalidades mais desenvolvidas que na série original, como é o caso de Mimi, Joe, e Koshiro, e outras, que tinham já essas personalidades mais desenvolvidas na primeira, parecem ter ficado para trás, como é o caso de Yamato, Takeru, Sora e Hikari. Outro ponto negativo na história é a constante separação das personagens. Isso por si só não seria mau, se não fosse o enorme foco em Taichi, o que faz parecer todas as personagens que não estão com ele esquecidas.

Isto, a meu ver, é o que mais desilude nesta série, e o que acaba por afastar alguns fãs mais antigos, e praticamente todos os mais recentes. Digimon nunca foi um shonen que se focasse numa só personagem, sempre foi uma série em que cada personagem tinha grande valor individual, o que fazia com que os fãs se ligassem mais a umas personagens do que a outras. Nesta série, isso perde completamente o seu valor, e estamos a seguir a história de Taichi, e os seus amigos anexos. Até mesmo Yamato, que deveria ter o mesmo peso, parece quase uma personagem terciária, e o seu impacto é minúsculo, quando na série original, era quem constantemente mantinha Taichi no seu lugar.

No entanto, penso que esta série esteja a tentar ligar-se mais aos jogos, mostrando isso com as Digivoluções, que também têm um impacto emocional muito mais baixo que as originais, e são mais diversificadas, mostrando o verdadeiro potencial de cada Digimon, ainda que contido. Acho que se era essa a intenção, já podiam há muito ter mostrado mais variantes, e abraçado o caos que é as Digivoluções e a lore interna de Digimon.

Digimon Adventure 2020 está a ser produzida por Masato Mitsuka, que está habituado a séries cheias de acção, como Dragon Ball, e por isso talvez não esteja a conseguir passar bem a mensagem do que é Digimon. Ainda assim, temos muitas das vozes originais, bem como Katsuyoshi Nakatsuru, da série original, a desenhar as personagens, o que traz alguma nostalgia à série.

Para concluir, Digimon Adventure 2020 é uma série óptima para os amantes de Digimon, especialmente da série original, pois pega nessa mesma história, e torna-a e ao seu mundo mais concisos, mostrando a maturação de um franchise de mais de 20 anos, comparativamente com os primeiros passos da original, bem como o avanço das tecnologias de animação, trazendo uma animação fluida e cheia de acção, mas ao mesmo tempo, tira um pouco da sua magia, ao retirar tempo de antena a personagens adoradas pelos fãs, com personalidades bem vincadas, e que criavam uma boa dinâmica interpessoal.

Digimon Adventure 2020 ainda está a sair, pelo que ainda podemos ter surpresas até ao seu fim, mas é uma série que aconselho a qualquer fã de Digimon Adventure.

7.0
Score

Pros

  • Excelente animação
  • Boa história e world-building
  • Novas Digivoluções
  • Banda Sonora

Cons

  • Foco em Taichi
  • Não abraçar mais as diferentes Digivoluções

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