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Death Stranding Director’s Cut (PS5) – Análise

Ao contrário do que sempre vos foi apresentado e para diversificar um pouco, proponho que leiam esta análise enquanto ouvem a Banda Sonora deste título em específico: (tal como estou a fazer, enquanto escrevo esta análise).

É verdade, cá estamos nós novamente para debater sobre o jogo que dividiu a comunidade em 2019 e que colocou a questão no ar: “Será que isto é apenas um Walking Simulator?”.

Muitos conhecem o trabalho de Hideo Kojima, um dos grandes pais do Stealth e o criador de uma das mais conhecidas franquias, Metal Gear Solid.

Death Stranding é o seu mais recente projeto, criado após sair da Konami, onde decidiu reunir-se com um grupo de “amigos” e desenvolver algo fora dos seus parâmetros.

Uma produção de ficção científica vinda da cabeça de Kojima

Trata-se de um Mundo pós-apocalíptico, devido ao Death Stranding, que em conjunto com o aparecimento de eventos paranormais, além de quase ter provocado quase a extinção da vida humana, causam  dificuldades significativas aos poucos sobreviventes.

A população vive isolada em pequenos bunkers, para se protegerem dos perigos que se encontrava lá fora. O nosso protagonista é Sam Porter Bridges (interpretado por Norman Reedus), um entregador de encomendas, que fornece aos  refugiados (infelizmente, quase soa a eventos ocorridos no nosso Mundo recentemente) bens de primeira necessidade.

Depois de um fatídico encontro com os BTs, (seres que se encontram no limbo e dificultam a vida do nosso herói), ele reencontra um grupo de pessoas que pretendem restaurar a América,  reconectando os vários pontos existentes no “Continente”.

Uma incomum caminhada 

Este título depende da união de diversos jogadores, que devem entreajudar-se nas entregas das encomendas. Agora, é uma coisa que se faz durante um longo período de tempo? A reposta é “Sim”. Se o jogo é apenas isto, merece então receber a denominação de “Um walking simulator”? A resposta a esta questão é um redondo “Não”.

Lamentavelmente, a equipa de Kojima conseguiu tornou a experiência um pouco enfadonha, ao adicionar constantemente novos métodos para auxiliar o jogador a entregar as encomendas e através da presença de confrontos entre os BTs e os Mules. Os BTs, são seres que aparecem quando começa a chover chuva ácida, que corrói os pacotes que temos para entregar, dificultando assim, ainda mais a nossa tarefa. Eles tem o propósito de matar Sam, contudo, ele não consegue falecer, (não é só porque é um jogo), pois é um repatriado, ou seja sempre que morre, pode voltar a viver.

Os Mules são um grupo de pessoas que tem apenas uma intenção, roubar as encomendas ao nosso protagonista, causando confrontos diretos, obrigando-o a utilizar todo arsenal disponível para se defender.

Esta aventura acaba por ter um estilo de multijogador, despoletando interações entre diferentes jogadores, sem a necessidade de se encontrarem fisicamente. Além disso, podemos dar “likes”, a quem constrói ou deixa “espalhado” pelo Mundo algumas construções e objetos. O genial de Death Stranding é que, inconscientemente, acabamos por facilitar a vida as pessoas como nós, sem nos apercebemos (e vice-versa). É um jogo que apoia o lado positivo da cooperação, o que é muito satisfatório de se ver.

Um elemento que acaba por ser de extrema importância é o BB, que é um bebé, que se encontra encapsulado e tem a importante missão de identificar onde estão os BTs. Devido à relevância desta personagem do jogo, temos de a tratar com muito cuidado, por isso sempre que esta chorar, devemos embala-la, melhorando assim a sua relação com o protagonista, no entanto, se não a conseguimos acalmá-la antes da barra chegar ao 0, o nosso herói começa a sentir remorsos. A sua interação no quarto, também ajuda no processo de aumentar a ligação de ambos, contudo, este é um local divertido, para explorar e ver o que tem para oferecer, especialmente neste Director’s Cut.

A narrativa ao início aparenta ser confusa, mas, graças aos elementos que acabam por nos fazer questionar sobre como se interligam, ficamos mais esclarecidos. Contudo com o desenrolar da estória, ficámos a querer saber mais sobre este Mundo pós-apocalíptico. A interpretação dos atores que dão a voz às personagens, é maioritariamente das vezes excelente, destacando os dois antagonistas, Higgs (Troy Baker) e Cliff (Mads Mikkelsen).

Graficamente esta aventura é um espetáculo visual (também já era assim na PS4), os ambientes são tão detalhados, que parecem ser extremamente realistas (no início do jogo até estava confuso, pois não sabia se estava a ver uma cinemática ou se o jogo estava a correr na sua engine). Para não falar do motion capture dos personagens, que por vezes podem causar alguma estranheza, conseguem transmitir adequadamente as emoções, sem parecer algo artificial. Os encontros com os BT demonstraram o poderio da consola da anterior geração e nesta volta-o a fazer. O aparecimento de partículas, edifícios que surgem à superfície, é um momento épico e inesquecível, além da besta que temos que derrotar (sem dúvida dos meus momentos favoritos).

As personagens têm sempre algo que nos faz ligar a elas, por serem tão únicas, pois cada uma tem fatores que a tornam extraordinárias, com os seus dilemas pessoais, que trazem consigo, devido ao fenómeno ocorrido.

Kojima presenteou-nos com diversas formas de apresentar-nos a narrativa, desde a súbitos flashbacks (que nos intrigam), à introdução de novos personagens (que complementam este Mundo). Para quem estiver curioso, pode ler as centenas de e-mails e entrevistas que ajudam a contextualizar certas situações. Mas, não é preciso fazê-lo para apreciar a estória, pois é uma opção de cada jogador.

A banda sonora desta aventura é “a cereja no topo do bolo”, sendo constituída por várias bandas musicais, que fizeram a sua estreia neste projeto “independente” ( nesta experiência conheci uma banda que se tornou numa das minhas favoritas, não tirando mérito às outras é claro, Low Roar).

Ouvir esta seleção de músicas, em vários instantes, em vez do silêncio sempre presente, torna um momento melancólico, que assenta que nem uma luva a esta estória (por vezes deparei-me a ouvir relaxado a melodia até ao fim). Também destaca-se, os temas instrumentais e interpretados criados de origem para este IP.

Em relação ao upgrade, se existe algo que aqui brilha é nada mais, nada menos que o Dualsense, este pequeno objeto que encaixa nas nossas mãos e nos faz imergir neste Mundo, através das suas funções trazendo algo de incrível a esta estória criada na cabeça de Kojima. Os Haptics têm o papel de fazer o jogador sentir o terreno que pisamos, ou o que está à nossa volta. Os triggers conseguem fazer com sintamos o peso que o Sam transporta e quanto mais carregados estivermos mais pressão é necessária exercer. É bom saber que após vários meses do lançamento da PS5, estas funcionalidades acabam por não ser só gimmicks, mas sim, elementos de maior imersão.

A adição de novos equipamentos, para ajudar a transportar as encomendas, são úteis, e trazem uma maior diversidade ao jogo, pois todos acabam por auxiliar de alguma forma Sam. A narrativa adicionada serve para concluir um arco da estória, de um personagem específico, no entanto, apesar de curtíssimo, traz um sabor de Metal Gear, sendo focada no Stealth (o Kojima até faz por lá uma referência óbvia).

Por vezes, com um andar lento

Apesar do jogo ser baseado em andar, o seu pacing acaba por não ser consistente, existindo momentos em que a estória fica lenta, não acrescentado nenhum elemento relevante à narrativa. No entanto, esta aventura recompensa-nos na fase terminal, entregando um excelente ato final.

Para quem não está familiarizado com o trabalho do Kojima, normalmente este é reconhecido pelas suas premissas e elementos bizarros, por possuírem alguns diálogos não relevantes e poucos momentos de pura ação, pode achar a jogabilidade desta aventura um pouco enfadonha (podendo não agradar a todos).

A aquisição propositada de uma PS5 para esta expansão/DLC/DC, não se justifica, pois não oferece muito conteúdo adicional. Contudo, para quem nunca jogou ou possui uma PS5 e não se importar de gastar 10 euros, esta acaba por ser uma das melhores formas de experienciar esta magnífica aventura.

O que a industria estava a precisar

Kojima Productions entrou no mercado com “o pé direito”, pois apresentaram um jogo fora do comum, construindo algo único (que apenas ele poderia fazer), podendo aparentar inicialmente uma estória confusa, mas que no fim acaba por ser recompensadora.

É raro este tipo de jogos, produzir algo com um grande orçamento, possuir uma elevada mistura de elementos que não apelam ao mercado mainstream (sinto que devia existir mais apostas semelhantes, ainda assim compreendo que o mercado ainda não se de mentalizou com jogos de pura ação, no entanto, não consigo parar de louvar o que Kojima nos entregou com esta aventura).

Se nunca jogaram este jogo, convido-vos a dar uma oportunidade ao mesmo. Se já o fizeram, esta é uma excelente oportunidade para os detentores da consola, da nova geração, experienciar esta aventura.

9.0
Score

Pros

  • Narrativa cativante
  • Persongens secundarios bem construidos
  • Graficamente espetacular
  • Banda Sonora imersiva
  • O design do BB é soberbo, sendo muito fofo
  • Vilões tem um perfomance de arrepiar
  • Interações com o Sam no quarto são hilariantes
  • Director's Cut é bom tendo em conta custo/conteúdo

Cons

  • ...mas não vale uma PS5, (a não ser que seja a primiera vez)
  • Por vezes arrasta-se
  • Não é para todos

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