Análises, TV

Chainsaw Man Ep.1 (Análise)

Chegou terça-feira e com ela a estreia do anime mais esperado do ano, Chainsaw Man. A obra, baseada no manga de Tatsuki Fujimoto (que supervisiona a série) tem sido um dos principais destaques do último ano, sendo, assim, normal que a ideia de a transportar para a animação não demorasse muito tempo. A adaptação é produzida pelo estúdio Mappa, sob a batuta de Ryuu Nakayama, que se estreia no papel principal da direção, mas com um trabalho vasto no que toca à animação (Nisemonogatari, Jujutsu Kaisen 0) e com o apoio nas cenas de ação de Tatsuya Yoshihara (Jujutsu Kaisen, Naruto Shippuden, Fullmetal Alchemist: Brotherwood).

Depois da apresentação, vamos para a análise do episódio.

Uma introdução sem exposição

Começamos o episódio com a apresentação dos protagonistas, Denji e Pochita, e do seu dia-a-dia. Apresentam-nos um detalhe grande nos cenários envolventes, revestido por uma capa de tons abundantes em cinza, enquanto mostram as dificuldades dos personagens, bem como a sua relação com a Yakuza e o seu passado. Gosto bastante do caráter pouco expositivo da introdução. À exceção dos poucos monólogos de Denji, há pouca coisa que não saibamos com naturalidade. A ideia de existir demónios e assassinos de demónio no mundo da série e mesma a pobreza extrema dos personagens é entendida sem ser exposta verbalmente, com naturalidade. Porque no fundo, para quem está naquele universo, são realmente coisas normais. Gosto quando as séries mostram essa faceta realista em que a maioria da informação é transmitida empiricamente, sem que nos digam alto. Shingeki é perfeito nesse aspeto, por exemplo.

O passado de Denji e Pochita & O sentido da posse

As únicas coisas que, para além dos tais monólogos, é mais expositivo são os flashbacks do passado de Denji e Pochita.

Mais uma vez, sobressai-se as paletas cinza do cenário. Percebe-se a razão da pobreza extrema e da parceria.

Parceria é um ponto muito importante na obra. Mais propriamente, o significado de posse e partilha. A Yakuza representa a ganância de querer sempre mais. Graças à dívida de Denji, o gangue trata-o como um animal: deixa-o sem nada, sem comida, sem uma boa casa e sem condições no geral. A posse aqui é na forma de abundância de um lado e pobreza do outro (desequilíbrio). Ganância essa que ainda aparece quando se deixam possuir por um demónio-zombi, que promete mais poder para os membros, mas que na verdade é uma armadilha para os controlar.

Depois temos todo o significado de posse de Denji. Ele só quer uma vida normal, só quer um pão com geleia e boas condições para o Pochita. Ele chega até a questionar-se se não deveria estar agradecido por ter o que tem, em vez de estar numa constante revolta interior, pensamento que desaparece quando ele encara a ganância referida anteriormente.

Mas o bonito do significado de posse neste episódio de Chainsaw Man é o poder partilhar o que se tem posse. É na parceria que a luz aparece. Num dia cinza, Denji oferece o seu sangue em Pochita, para que ele sobreviva, e em troca, Pochita entrega o seu poder a Denji. A parceria fica ainda mais visível quando o demónio oferece a sua vida para Denji, equivalendo o valor da partilha.

No flashback em que o Humano se dirige para o cão-demónio para lhe dizer que, se morrer, quer partilhar o seu corpo com o amigo, o cenário volta a ter luz. Porque a luz é de quem partilha.

E tudo culmina na cena final. Depois de Denji virar o Homem da Serra elétrica e ser avistado por Makima, esta pergunta se ele quer morrer como demónio ou viver como humano. Esta não é apenas uma pergunta puramente narrativa. Quando Makima chega, a paleta volta a mostrar uma luminosidade maior. A seguir à pergunta, Makima diz que, se quiser viver como humano, terá de oferecer o seu poder à mulher, em troca de ser bem alimentado. Denji olha para o lado e vê o lado demónio ganancioso e escuro, de seguida volta a olhar para Makima e vê a partilha e luz. Por um lado, o olhar dele é melancólico, algo normal porque parece que a vida humana dele implica sempre ser preso a uma função ou a alguém. No entanto, desta vez é uma partilha, é uma nova luz. E isso é muito bonito.

Não há Chainsaw Man sem sangue e sem violência

Algo muito polémico nesta adaptação foi a apresentação da ação em CGI. E eu também vou ser polémico, eu gostei.

Acho difícil o CGI alguma vez superar o 2D convencional, no entanto preciso de comentar que não vejo forma para, na indústria atual, ser possível (pelo menos de forma tão rápida e barata) apresentar uma animação tão rica em detalhes. As texturas são o detalhe mais gritante da qualidade do CGI. As coreografias de ação estão bastante ricas e a sonoplastia de todo o episódio está impecável.

Em termos de direção, fiquei muito agradado com este episódio. Tanto no ritmo, como na direção narrativa, como na fidelidade da adaptação, como nas cenas de ação. Acho que tudo resultou muito bem.

A supervisão do mangaka serviu para garantir, não só fidelidade, mas que também o gore da obra fosse mantido. Portanto, quem gosta de sangue e violência visceral, deve ter ficado agradado com este título.

Esta foi a análise do primeiro episódio. Destaque ainda para a abertura, cheia de referências a grandes cenas de filmes famosos, como Fight Club e o meu filme favorito, Pulp Fiction. Todas as semanas irei apresentar as primeiras impressões de cada episódio de Chainsaw Man. Por isso, até para a semana, Nerdies.

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