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Análises, Cinema

Black Widow – Análise

Black Widow é um filme que nos remete a uns anos antes do ponto cronológico que nos encontrámos no Universo Cinemático da Marvel, tornando assim este, a primeira prequela da MCU.

Esta longa metragem, é dirigida por Cate Shortland (uma realizadora ainda em crescimento, mais conhecida pelos seus trabalhos tais como Somersault, Lore e Berlin Syndrome), tem como principal objetivo (podendo aqui existir algum spoiler, por isso atenção a esta pequena introdução) contar a estória de Natasha Romanoff (que se tornou a lendária Black Widow, e que se sacrificou para salvar o Universo em Avengers: Endgame), assim como, os eventos que levaram aos acordos de Sokovia.

Este filme reúne diversas caras conhecidas do mundo do cinema, tendo no elenco principal Scarlett Johansson (atriz reconhecida pela sua personagem Black Widow em outros filmes da Marvel, mas também pela sua interpretação em Lost in Translation, onde ganhou o BAFTA de melhor atriz, Girl with a Pearl Earring, A Love Song for Bobby Long, Match Point, The Prestige, Marriage Story e Jojo Rabbit, dois filmes do mesmo ano que lhe permitiram duas nomeações nos Óscares, entre outros trabalhos), Florence Pugh (jovem atriz conhecida principalmente pelos seus papéis em Lady Macbeth, Little Woman, Midsommar), David Harbour (ator mais conhecido pelos seus trabalhos na Broadway e na TV, no entanto possui no seu currículo algumas interpretações de destaque em alguns filmes, tais como Kinsey, Brokeback Mountain, Quantum of Solace, Hellboy, Extraction, entre outros), Rachel Weisz (atriz galardoada com vários prémios do mundo do cinema pelas suas interpretações em Constant Gardener e The Favourite, mas também conhecida por outros trabalhos como, The Mummy, Constantine, The Fountain, etc.), entre outros atores.

Red Room…

Esta longa-metragem, inicia com uma retrospetiva nos anos 90, em Ohio, durante a infância da nossa protagonista, onde esta vivia tranquilamente com a sua “família” (irmã e pais). Até que um dia, o patriarca Alexei (David Harbour) chega a casa e anuncia a Melina (Rachel Weisz) que chegou o momento que eles aguardavam, e que tinham apenas uma hora para partir. Num alvoroço esta “família” reúne apenas alguns pertences (de forma a recordar os bons momentos partilhados durante os últimos três anos) e partem em fuga para Cuba.

Ao chegarem a este país, a família é recebida em celebração pelo líder da organização russa de espionagem, contudo decide separar as irmãs, de forma a que estas sejam treinadas mais arduamente para se tornarem espiãs de elite.

Durante um salto temporal, vemos os diferentes métodos utilizados pelo programa Black Widow de quebrar os espíritos rebeldes de Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) e da sua irmã Yelena Belova (Florence Pugh), assim como o de várias outras jovens mulheres. Cate Shortland, define todo esta introdução num tom melancólico através da música (como por exemplo a versão de Malia J. de Smells Like Teen Spirit) e da luz, tentando transportar os espectadores para os anos 90.

Após esta introdução (onde nos é revelado parte do crescimento de Natasha), voltamos ao presente, em que a nossa heroína tenta-se manter escondida do governo americano, que a persegue após os eventos ocorridos durante a longa metragem de Captain America: Civil War, onde Natasha acaba por ter uma ação que anula os acordos de Sokovia proposto pelo governo, nomeadamente pelo general Ross (William Hurt), o que faz dela uma fugitiva potencialmente perigosa e que deverá ser capturada a todo o custo.

Enquanto isto, do outro lado do mundo, Yelana (Florence Pugh), a irmã de Natasha, já é uma assassina profissional e líder de um esquadrão, que está em perseguição de uma ex-membro da sua organização, contudo, algo corre mal e Yelena é exposta a um químico que liberta a sua mente, e esta apercebe-se que esta a ser controlada mentalmente.

Após de Yelena conseguir fugir da realidade da organização conhecida por Red Room (Sala Vermelha), ela envia algo (numa forma de caixa) para Natasha, de forma a que esta a ajude (pois esta informação poderá acabar definitivamente com esta organização).

No entanto, Natasha, apenas se interessa por esta caixa quando surpreendente é atacada por um novo vilão, neste caso Taskmaster. Durante este primeiro embate, observamos que este vilão tem uma excelente capacidade combate, para além de ter a habilidade de imitar os seus adversários, o que o torna num adversário de grande dificuldade para a protagonista. Assim que escapa de Taskmaster, Natasha percebe que precisa de viajar até à Europa, para desvendar o mistério por detrás daquela caixa e encontrar a sua irmã.

Depois de um encontro muito atribulado (pois ambas acusam-se de estarem ausentes e nunca se procurarem, sendo que Yelena aponta o dedo a Natasha por esta ter uma nova família repleta de heróis, e se esquecer de onde veio), as irmãs são atacadas pelo Taskmaster, que faz de tudo para eliminar os seus alvos principais.

Para escaparem, as nossas protagonistas utilizam a mesma técnica usada anteriormente por Natasha, quando decidiu abandonar a organização à anos atrás. Assim sendo, Yelena e Natasha decidem se reunir com a sua família e assim, todos juntos terem uma melhor oportunidade de destruir a Red Room, e consequentemente, libertar todas as Black Widow que esta organização criou.

A Família…

Black Widow, tal como referido anteriormente, Cate Shortland define um início do filme num tom melancólico através da música, inicialmente com “American Pie“, e depois na introdução desta longa-metragem com a versão de Malia J. de “Smells Like Teen Spirit“. Utilizando uma iluminação muito própria tentando transportar o espectador para os anos 90.

Tal como, todos os filmes provenientes da MCU, Black Widow não foge à regra, mantendo-se bastante divertido, e com momentos caricatos criados pelas personagens, tornando todo o ambiente mais leve do que aquele que pode aparentar ser. Contudo, um dos grandes problemas está na narrativa, pois esta é um pouco desequilibrada, fazendo passagens rápidas entre momentos e deixando outros tantos por explicar, no entanto, possui um ritmo agradável.

Em relação aos vilões apresentados em Black Widow, apenas se destaca com algum interesse o líder da organização Red Room, pois é possível observar interação mais intensa entre a protagonista e este antagonista. Contudo, o Taskmaster tornou-se uma carta completamente “fora do baralho”, pois apesar de ter um plano de fundo, com uma estória interessante (no entanto previsível), todo o seu desenvolvimento é inexistente, tornando esta personagem desnecessária nesta longa-metragem, aparecendo apenas como uma “jogada de marketing”. Em suma, os adversários da nossa heroína são “fracos”, pois pouco contribuem (ou em alguns casos nem sequer o fazem) para dar um maior destaque a ela.

Quanto às interpretações, o núcleo central cumpre o seu papel, tornando muito interessante a ligação entre os membros da família de Natasha, contudo, as atuações secundárias ficam um pouco aquém do esperado.

O foco central do filme é claramente a dinâmica das “famílias” (enquanto criança ou dos amigos – Avengers) de Natasha Romanoff, e é uma estória que valeria ser contada (contudo, existem referências ou momentos em Budapeste que poderiam ser mais explorados, nem que fosse numa memória da protagonista), pois consegue ser por vezes impressionante, mas também, revela alguns dos “cantos” mais sombrios do Universo Cinematográfico da Marvel até hoje.

Além do mais, o CGI nas cenas finais fica muito aquém do que a MCU nos habitou, principalmente nas cenas de luta e de apresentação de um dos vilões.

A MCU tem habituado o espectador a que os seus filmes devem valer por si próprios, e não pela ligação que têm com os seus sucessores ou antecessores, e a existência de Black Widow como uma prequela consegue funcionar de forma isolada do Universo Marvel, mesmo existindo algumas menções durante o filme que fazem ligação com as outras longas-metragens da Marvel. Contudo, quer nos filmes posteriores, quer nos anteriores, o mesmo não é refletido para com este, o que nos leva a crer que mesmo que Black Widow tivesse saído na ordem cronológica em que é executado, após Captain America: Civil War, este não teria impacto nas longas metragens adjacentes (mostrando mais uma vez, que este título, apenas serviu para utilizar o bom desempenho de Natasha dentro do Universo Cinematográfico Marvel, ou seja, quase como uma homenagem à personagem que ficou aquém do esperado).
Podendo conter neste momento um spoiler, é na cena pós-créditos, que temos um dos pontos altos desta longa-metragem, pois é possível observar o impacto que Natasha deixou em determinadas personagens.

Em suma, Black Widow, ficou aquém do esperado e na sombra dos outros filmes da MCU, começando com uma narrativa desequilibrada e previsível, com vilões com pouco desenvolvimento, e outros que conseguem sobreviver a “tudo” sem grandes explicações. Além do mais, esta aventura não possui impacto nas longas-metragens do MCU.

Apesar deste filme nos tentar trazer várias morais para a vida, em especial a importância da família, este título não conta com alguns marcos tão esperados, mas para além disso, acabou-se por tornar pouco impactante, como referido anteriormente, mesmo se tivesse saído na ordem cronológica em que é executado.

Partilhamos, convosco o trailer desta aventura…

6.0
Score

Pros

  • Interpretação do núcleo central
  • Ligação interessante entre os elementos da família de Natasha
  • Banda sonora e iluminação
  • Moral central da estória
  • Alguns Easter Eggs

Cons

  • Narrativa desequilibrada
  • Personagens secundárias com pouco impacto
  • Vilões com pouco desenvolvimento
  • E conseguem sobreviver aos ataques, sem grandes explicações
  • CGI

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